EIXO MOTOR
EmpresasPerfil

Hyundai: a única montadora tradicional que ganhou participação em agosto

Depois de encerrar 26 anos de parceria com a CAOA, a coreana concentrou tudo em Piracicaba, lançou o terceiro modelo nacional e chegou ao quinto lugar do mercado brasileiro

Hyundai: a única montadora tradicional que ganhou participação em agosto
Imagem: Foto: Divulgação/Hyundai

Dado central da análise

126.917

Emplacamentos de janeiro a agosto de 2026, 6,9% do mercado

O que você precisa saber

  • Fundação: 1967, na Coreia do Sul, por Chung Ju-yung; primeiro carro próprio, o Pony, em 1975
  • Compra do controle da Kia em 1998; o grupo ocupa a terceira posição global em vendas
  • Vendas globais em 2025: 4,14 milhões de unidades, com 932.123 eletrificados, 27% do mix
  • Fábrica de Piracicaba: concluída em novembro de 2012, cerca de R$ 1,2 bilhão de investimento
  • Capacidade de Piracicaba: acima de 215 mil unidades por ano a partir de 2026
  • Produção acumulada em Piracicaba: 2 milhões de unidades em outubro de 2023
  • Fim da produção Hyundai na CAOA em Anápolis: 31 de outubro de 2025, após 26 anos de parceria
  • Investimento anunciado: US$ 1,1 bilhão até 2032, anunciado em fevereiro de 2024
  • Emplacamentos de janeiro a agosto de 2026: 126.917 unidades, 6,9% e quinta posição
  • Agosto de 2026: 17.017 unidades e 6,47%, única montadora tradicional a ganhar participação
  • Creta em oitavo no ranking de modelos, com 49.158 unidades, e HB20 em nono, com 47.275

# Hyundai: a única montadora tradicional que ganhou participação em agosto

Em um mercado onde as chinesas tomam espaço de todo mundo, uma coreana conseguiu crescer participação em agosto. Vale entender como.

Resposta rápida

A Hyundai Motor Company foi criada em 1967, na Coreia do Sul, por Chung Ju-yung, e lançou seu primeiro carro próprio, o Pony, em 1975. No Brasil, a fábrica de Piracicaba, no interior de São Paulo, foi concluída em novembro de 2012 com cerca de R$ 1,2 bilhão e hoje produz HB20, Creta e i20, com capacidade acima de 215 mil unidades por ano. A marca emplacou 126.917 unidades de janeiro a agosto de 2026, 6,9% de participação e quinta posição no ranking.

Do Cortina montado com a Ford ao terceiro maior grupo do mundo

A Hyundai Motor foi criada em 1967 por Chung Ju-yung e começou montando o Cortina em parceria com a Ford, em 1968. O primeiro carro próprio veio em 1975: o Pony, desenhado por Giorgio Giugiaro, apontado como o primeiro automóvel sul-coreano, com exportações começando já no ano seguinte.

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça

A entrada nos Estados Unidos, em 1986 com o Excel, foi sustentada por preço baixo e cobrou um preço em reputação. A resposta da empresa nos anos 2000 foi a garantia de dez anos ou 160 mil quilômetros no mercado americano, e em 2004 a marca chegou ao segundo lugar no estudo de qualidade inicial da J.D. Power na América do Norte. É um dos casos mais bem documentados de virada de percepção de marca na indústria.

Em 1998, na crise asiática, a Hyundai comprou o controle da rival Kia. Hoje o grupo reúne Hyundai, Kia e Genesis e ocupa a terceira posição global em vendas.

Em 2025 a Hyundai vendeu 4,14 milhões de veículos no mundo, com receita de 186,3 trilhões de wons e lucro operacional de 11,47 trilhões, queda de 19,5%. Os eletrificados somaram 932.123 unidades, 27% do mix, com híbridos crescendo 32%. Somadas Hyundai e Kia, foram 7,27 milhões de unidades, com meta conjunta de 7,51 milhões para 2026.

No Brasil existiram duas Hyundai ao mesmo tempo

Essa é a parte da história que confunde o consumidor até hoje.

Em 1999 Carlos Alberto de Oliveira Andrade negociou com a Hyundai o direito de importar a marca para o Brasil. A CAOA passou a produzir o utilitário HR em Anápolis, em Goiás, a partir de 2007, e depois Tucson, ix35, HD e outros modelos.

Quando a coreana decidiu erguer fábrica própria, a negociação para comprar a operação da CAOA não fechou por divergência de valor. O resultado foi duas estruturas paralelas da mesma marca: a CAOA, com os importados e o que saía de Anápolis, e a Hyundai Motor Brasil, com a produção de Piracicaba e rede própria. Em 2012 a CAOA virou também franqueada da HMB.

O arranjo começou a se desfazer em fevereiro de 2024, quando a Hyundai passou a importar diretamente pagando royalties à CAOA e unificou a rede de concessionárias. O ponto final veio em 31 de outubro de 2025, com o último Hyundai produzido em Anápolis, um caminhão leve HR, encerrando 26 anos de parceria.

Anápolis não parou. A CAOA monta ali os SUVs Chery, com mais de 150 mil unidades acumuladas, e prepara a produção da Changan, com plano de cerca de R$ 3 bilhões para dobrar a capacidade de 80 mil para 160 mil veículos por ano. Vale a ressalva, porque o mercado confunde: Chery, Changan, Omoda e Jaecoo não são Hyundai.

Piracicaba é a fábrica que sustenta o quinto lugar

A planta foi concluída em novembro de 2012 com investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão e capacidade original de 150 mil veículos por ano, ampliada para 180 mil com o terceiro turno em 2013 e para 210 mil em 2019. Em outubro de 2023 alcançou 2 milhões de unidades produzidas em pouco mais de onze anos, sendo 1,6 milhão da família HB20 e 400 mil do Creta.

A partir de 2026 a capacidade passou de 215 mil unidades por ano, com a linha ganhando flexibilidade para acomodar um terceiro modelo. Esse terceiro modelo é o i20, lançado em 2026 e produzido em Piracicaba ao lado de HB20 e Creta.

Toda essa movimentação está amparada no pacote de US$ 1,1 bilhão até 2032 anunciado em 22 de fevereiro de 2024, hoje citado em torno de R$ 5,5 bilhões, que cobre híbridos, elétricos e tecnologia de célula a combustível a hidrogênio.

A linha nacional é grande e ainda é toda a combustão

Os nacionais formam a espinha dorsal: HB20 a partir de R$ 96.140, HB20S a partir de R$ 105.290, i20 a partir de R$ 99.990 e Creta de R$ 119.990 a R$ 206.990. A linha 2027 trouxe um ajuste que passou quase despercebido: o motor 1.0 TGDI caiu de 120 cv para 115 cv com etanol, por adequação ao IPI Verde, mantendo o torque de 17,5 kgfm. É o mesmo tipo de efeito regulatório tratado na matéria sobre a perda de potência dos flex turbo com o Proconve L8.

Eletrificado, a Hyundai só vende importado: o Kona híbrido, de R$ 219.990 a R$ 239.990, e o Ioniq 5 elétrico, a R$ 409.990, que acumulou apenas 87 unidades emplacadas entre setembro de 2024 e janeiro de 2026. Completam a linha importada o Tucson, por R$ 189.990, e o Palisade, a R$ 479.990.

Os números de 2026

De janeiro a agosto de 2026 a Hyundai emplacou 126.917 unidades, 6,9% de participação e quinto lugar, atrás de Fiat, Volkswagen, Chevrolet e BYD, e à frente da Toyota.

Em agosto isolado foram 17.017 unidades e 6,47%, subindo uma posição. E há um detalhe que merece destaque: a Hyundai foi a única montadora tradicional a ampliar participação naquele mês, com ganho de 2,1 pontos percentuais, em um mercado onde as chinesas tomaram espaço de praticamente todas as demais.

No ranking de modelos do acumulado, o Creta aparece em oitavo com 49.158 unidades e o HB20 em nono com 47.275. O Creta lidera as vendas no varejo brasileiro há três anos consecutivos, segundo a própria marca. O i20 entrou no top 50 já em agosto, com 3.042 unidades.

A explicação do desempenho não é sofisticada: linha nacional larga, preço de entrada abaixo de R$ 100 mil e um SUV compacto que o brasileiro compra por conta própria, e não por frota.

O que vem em 2027 e 2028

O Bayon é o próximo passo. O nome foi confirmado em setembro de 2026 e o SUV compacto derivado do i20 entra em produção em Piracicaba no primeiro trimestre de 2027, com motor 1.0 turbo de 115 cv e automático de seis marchas, para brigar com Fiat Pulse, VW Tera, Renault Kardian e Jeep Avenger. Uma versão híbrida é tratada como possibilidade de segunda etapa.

O movimento mais relevante, porém, é a nova geração do Creta, que será o primeiro híbrido flex da Hyundai produzido no Brasil, com sistema full hybrid de alta voltagem e não mild hybrid. A revelação global está prevista para 2027 e a chegada ao mercado brasileiro para o primeiro semestre de 2028, com produção em Piracicaba.

Há ainda a parceria com a General Motors, anunciada em agosto de 2025, com cinco veículos de desenvolvimento compartilhado previstos para 2028, quatro deles voltados à América Central e do Sul: SUV compacto, sedã compacto, picape compacta e picape média. A expectativa declarada é superar 800 mil unidades anuais em produção plena.

Uma baixa já confirmada: o presidente da Hyundai no Brasil confirmou o fim da produção do HB20S, sem data divulgada. Os demais lançamentos do período estão no guia de lançamentos de 2027.

Perguntas frequentes

Onde fica a fábrica da Hyundai no Brasil?

Em Piracicaba, no interior de São Paulo, concluída em novembro de 2012 com cerca de R$ 1,2 bilhão de investimento. Produz HB20, HB20S, Creta e i20, com capacidade acima de 215 mil unidades por ano desde 2026.

Qual a diferença entre Hyundai e Hyundai CAOA?

A CAOA importava e produzia Hyundai em Anápolis, em Goiás, desde 1999, enquanto a Hyundai Motor Brasil opera a fábrica de Piracicaba desde 2012. As duas estruturas conviveram por anos. A parceria terminou em 31 de outubro de 2025, quando saiu o último Hyundai produzido em Anápolis.

A CAOA ainda produz carros em Anápolis?

Sim, mas não Hyundai. A fábrica monta hoje SUVs Chery e prepara a produção da Changan, com plano de cerca de R$ 3 bilhões para dobrar a capacidade para 160 mil veículos por ano. Chery, Changan, Omoda e Jaecoo não são Hyundai.

Quanto a Hyundai vendeu no Brasil em 2026?

Foram 126.917 emplacamentos de janeiro a agosto de 2026, 6,9% de participação e quinta posição. Em agosto isolado foram 17.017 unidades, e a marca foi a única montadora tradicional a ampliar participação naquele mês.

Quando chega o Hyundai Bayon?

A produção nacional em Piracicaba está prevista para o primeiro trimestre de 2027. O SUV compacto é derivado do i20, usa motor 1.0 turbo de 115 cv com automático de seis marchas e vai disputar com Fiat Pulse, VW Tera, Renault Kardian e Jeep Avenger.

A Hyundai vai fabricar híbrido no Brasil?

Sim. A nova geração do Creta será o primeiro híbrido flex da marca produzido no país, com sistema full hybrid de alta voltagem. A revelação global está prevista para 2027 e a chegada ao mercado brasileiro para o primeiro semestre de 2028, com produção em Piracicaba.

Fontes: Hyundai Motor Group, resultados globais de 2025 e metas para 2026||AutoIndústria e Automotive Business, sobre a ampliação de Piracicaba e o investimento de US$ 1,1 bilhão||Auto+ TV e Vrum, sobre o encerramento da produção Hyundai em Anápolis||Fenabrave, emplacamentos de agosto e acumulado de 2026||Rádio Itatiaia, sobre o Creta híbrido flex nacional
fábrica Hyundai Piracicaba||Hyundai Bayon||Hyundai CAOA||Creta híbrido flex
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

BYD: da fábrica de baterias de Shenzhen à quarta marca mais vendida do Brasil
EmpresasPerfil

BYD: da fábrica de baterias de Shenzhen à quarta marca mais vendida do Brasil

A BYD foi fundada em 1995, em Shenzhen, por Wang Chuanfu, como fabricante de baterias recarregáveis para eletrônicos, e só entrou no setor automotivo em 2003. No Brasil, emplacou 146.930 veículos de janeiro a agosto de 2026, alta de 118,69%, e ocupa a quarta posição no ranking geral. A fábrica de Camaçari, na Bahia, recebeu R$ 5,5 bilhões e produziu 100 mil veículos em nove meses de operação.

28 de set de 20267 min de leitura
GWM: a fabricante de picapes chinesa que comprou a fábrica da Mercedes e agora vai para o Espírito Santo
EmpresasPerfil

GWM: a fabricante de picapes chinesa que comprou a fábrica da Mercedes e agora vai para o Espírito Santo

A GWM, sigla de Great Wall Motor, nasceu em 1976 como uma oficina de reparos em Baoding, na China, e se tornou fabricante em 1984. No Brasil, comprou em 2021 a fábrica que a Mercedes-Benz desativou em Iracemápolis, no interior de São Paulo, inaugurou a produção em agosto de 2025 e anunciou R$ 10 bilhões de investimento entre 2022 e 2032. Em 2026 a marca cresceu 99,7% até agosto e confirmou uma segunda fábrica em Aracruz, no Espírito Santo.

28 de set de 20267 min de leitura
China é vice-líder do mercado brasileiro com 17,8%, e o problema agora é quem vai embora
EmpresasAnálise

China é vice-líder do mercado brasileiro com 17,8%, e o problema agora é quem vai embora

As marcas chinesas responderam por 17,8% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves de janeiro a agosto de 2026, segundo a Fenabrave, o que coloca a China na vice-liderança por origem de marca, atrás apenas da Itália, com 19,7%. São ao menos 15 marcas em operação, 1.380 concessionárias, 16% do total do país, e mais sete montadoras confirmadas até 2028. A preocupação declarada pela Fenabrave não é com quem chega, é com quem sai.

28 de set de 20266 min de leitura