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Nissan: a montadora que fechou sete fábricas no mundo e escolheu manter Resende

Com prejuízo de 533 bilhões de ienes no último ano fiscal e um plano que corta 20 mil postos, a japonesa acelerou a linha do Rio de Janeiro enquanto tirava Frontier e Sentra do Brasil

Nissan: a montadora que fechou sete fábricas no mundo e escolheu manter Resende
Imagem: Foto: Divulgação/Nissan

Dado central da análise

800 mil veículos

Produzidos em Resende em doze anos

O que você precisa saber

  • Fundação: dezembro de 1933, em Yokohama; nome Nissan Motor adotado em junho de 1934
  • Nissan Leaf: produção iniciada em outubro de 2010, primeiro elétrico de comercialização em massa
  • Ano fiscal encerrado em março de 2026: prejuízo líquido de 533,1 bilhões de ienes e volume global de 3,15 milhões
  • Plano Re:Nissan: corte de 20 mil postos e redução de 17 para 10 fábricas até o ano fiscal 2027
  • Nissan do Brasil constituída em 23 de outubro de 2000; primeira fábrica em São José dos Pinhais em dezembro de 2001
  • Complexo de Resende: R$ 2,6 bilhões, inaugurado em 15 de abril de 2014, 200 mil veículos por ano
  • Produção acumulada em Resende: 800 mil veículos em setembro de 2026
  • Ritmo de linha: subiu de 24 para 28 carros por hora, com meta de 32, e 400 contratações
  • Emplacamentos no Brasil: 87.434 em 2024, 77.808 em 2025 e 49.925 de janeiro a agosto de 2026
  • Participação: 3,52% em 2024, 3,05% em 2025 e 2,64% em 2026, caindo do 9º para o 12º lugar
  • Modelos fora de linha em 2026: Frontier, Sentra e, desde 2024, o Leaf

# Nissan: a montadora que fechou sete fábricas no mundo e escolheu manter Resende

Em uma reestruturação que eliminou três plantas na América Latina, a fábrica brasileira não só sobreviveu como acelerou. Isso diz algo sobre o país.

Resposta rápida

A Nissan nasceu em dezembro de 1933, em Yokohama, adotando o nome atual em junho de 1934. No Brasil, inaugurou o Complexo Industrial de Resende, no Rio de Janeiro, em abril de 2014, com investimento de R$ 2,6 bilhões, e atingiu 800 mil veículos produzidos em setembro de 2026. A marca emplacou 49.925 unidades de janeiro a agosto de 2026, 2,64% de participação e décima segunda posição, dentro de uma crise global que levou a empresa a um prejuízo de 533,1 bilhões de ienes no ano fiscal encerrado em março de 2026.

Datsun, Yokohama e o primeiro elétrico de massa

A Jidosha Seizo foi fundada em dezembro de 1933, em Yokohama, e passou a se chamar Nissan Motor em junho de 1934. A marca Datsun, herdada da DAT, começou a exportar já em 1934, inclusive para a América do Sul. A fábrica de Yokohama, aberta em 1935, é descrita pela empresa como a primeira linha de produção em massa de automóveis do Japão.

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O marco mais importante da história recente é de 2010. O Leaf entrou em produção em 22 de outubro daquele ano e chegou ao mercado em dezembro, como o primeiro automóvel elétrico de comercialização em massa. Chegou a 500 mil unidades acumuladas em setembro de 2020, e a produção no Reino Unido foi encerrada em março de 2024, após 270 mil unidades das duas gerações. A terceira geração, revelada em junho de 2025, virou um crossover.

A Nissan chegou lá antes de todo mundo e não converteu a vantagem em liderança. Esse é o resumo do capítulo que veio depois.

De Ghosn ao Re:Nissan

Carlos Ghosn chegou à Nissan em junho de 1999, logo após a Renault comprar 36,8% da empresa, e virou CEO em junho de 2001. O Nissan Revival Plan levou a companhia de um prejuízo de US$ 6,46 bilhões a um lucro líquido de US$ 2,7 bilhões no ano fiscal 2000, com margem operacional subindo de 1,4% em 1999 para 11,1% em 2003.

O desfecho é conhecido: prisão em Tóquio em novembro de 2018, denúncia por subdeclaração de remuneração e a fuga do Japão para o Líbano no fim de dezembro de 2019.

O que ficou foi uma empresa que não recuperou o passo. O ano fiscal 2024, encerrado em março de 2025, fechou com prejuízo líquido de 670,9 bilhões de ienes. Em 13 de maio de 2025 a companhia anunciou o plano Re:Nissan: corte de 20 mil postos até o ano fiscal 2027, redução de 17 para 10 fábricas, meta de corte de 500 bilhões de ienes em custos e queda de 13 para 7 plataformas até 2035.

O ano fiscal 2025, divulgado em maio de 2026, trouxe receita de 12 trilhões de ienes, lucro operacional de 58 bilhões, margem de apenas 0,5%, e prejuízo líquido de 533,1 bilhões, com volume global de 3,15 milhões de unidades. O impacto de tarifas norte-americanas no período foi de 286 bilhões de ienes. Já o primeiro trimestre do ano fiscal 2026, divulgado em agosto, mostrou lucro operacional de 77,9 bilhões e margem de 2,6%, contra prejuízo operacional um ano antes. O plano está funcionando, mas de um patamar muito baixo.

No Brasil, a Nissan tem uma história mais longa do que parece

Os primeiros caminhões Nissan chegaram ao país entre 1950 e 1951, em 35 unidades. Entre 1955 e 1956, cerca de 400 Patrol de primeira geração foram montados em São Bernardo do Campo pela Varam Motores, com 35% a 40% de conteúdo nacional.

A Nissan do Brasil foi constituída em 23 de outubro de 2000, inicialmente só com importados. A primeira fábrica veio em 20 de dezembro de 2001, dentro do complexo da Aliança com a Renault em São José dos Pinhais, produzindo Frontier e Xterra a partir de 2002.

O passo grande foi o Complexo Industrial de Resende, inaugurado em 15 de abril de 2014 com R$ 2,6 bilhões de investimento, capacidade de 200 mil veículos e 200 mil motores por ano e cerca de 1.500 empregos diretos na largada. A meta declarada na época era chegar a 5% de participação de mercado até 2016.

A linha do tempo de Resende resume a operação: March em abril de 2014, Versa em janeiro de 2015, Kicks de primeira geração em abril de 2017, Kicks de segunda geração em abril de 2025 e Kait em dezembro de 2025. Em setembro de 2026 a planta chegou a 800 mil veículos produzidos.

Resende escapou do corte e ganhou ritmo

Aqui está o dado que contraria a intuição.

O Re:Nissan fechou na América Latina as fábricas de Córdoba, na Argentina, onde se produzia a Frontier, e as mexicanas de Aguascalientes e Civac, além do estúdio de design de São Paulo. Resende não entrou na lista.

Ao contrário: a capacidade da linha subiu de 24 para 28 carros por hora, com plano de chegar a 32, e a empresa contratou 400 funcionários. O investimento associado ao Kait e ao novo Kicks é citado em R$ 2,8 bilhões. O Kait começou a ser exportado em março de 2026 e já soma 10 mil unidades enviadas a 12 países, com meta de passar de 20 mercados.

O que saiu de linha no Brasil foram os importados. A Frontier encerrou o ciclo comercial em agosto de 2026, depois de cair de 9.258 unidades em 2024 para 5.091 em 2025 e apenas 1.002 de janeiro a julho de 2026. O Sentra saiu em julho de 2026, com 341 emplacamentos no primeiro semestre. E o Leaf deixou o catálogo brasileiro em fevereiro de 2024, restando apenas por assinatura.

A linha atual é a mais curta em anos

Sobraram três modelos na tabela. Os nacionais Kait, de R$ 117.990 a R$ 149.990, e Kicks de segunda geração, de R$ 159.990 a R$ 189.000, ambos de Resende, mais o Versa importado do México, de R$ 119.990 a R$ 148.290.

O Kait, lançado em dezembro de 2025 no lugar do Kicks Play, usa motor 1.6 de 113 cv com etanol e câmbio CVT, e é hoje o produto de volume da marca.

Em vendas, a série mostra encolhimento em um mercado que cresce: 87.434 unidades e 3,52% em 2024, 77.808 unidades e 3,05% em 2025, e 49.925 unidades com 2,64% de janeiro a agosto de 2026, caindo da nona para a décima segunda posição. Em agosto isolado foram 6.429 unidades.

A renovação prometida vem da China

A diretriz global mudou de eixo. O CEO Ivan Espinosa anunciou seis novos veículos e três tecnologias eletrificadas para a América Latina em doze meses, com produtos desenvolvidos na China, e prometeu 100% da linha brasileira renovada até 2027.

Os três pilares anunciados são o X-Trail e-Power, primeiro híbrido da marca no país, com motor 1.5 turbo atuando apenas como gerador, dois motores elétricos, 213 cv e tração integral elétrica e-4orce, previsto entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027; o sedã elétrico N7, desenvolvido com a Dongfeng, já flagrado em testes no Brasil em dezembro de 2025; e a nova Frontier Pro, híbrida plug-in desenvolvida com a Dongfeng, com mais de 429 cv e cerca de 135 km de autonomia elétrica, importada da China para o início de 2027.

Uma montadora japonesa renovar a linha latino-americana inteira com engenharia chinesa é o sinal mais claro de para onde o setor está indo, tema tratado na análise da onda de lançamentos chineses e no guia de lançamentos de 2027.

O caso mais simbólico é o Nissan Pixo elétrico, revelado em 23 de setembro de 2026: é produzido pela Renault na Eslovênia, sobre a base do Twingo, custa menos de 20 mil euros e não tem previsão de desembarque no Brasil.

Perguntas frequentes

Onde fica a fábrica da Nissan no Brasil?

O Complexo Industrial de Resende, no Rio de Janeiro, inaugurado em 15 de abril de 2014 com R$ 2,6 bilhões de investimento e capacidade de 200 mil veículos e 200 mil motores por ano. A Nissan também produziu em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro do complexo da Aliança com a Renault.

Quais carros da Nissan são produzidos no Brasil?

Kicks de segunda geração e Kait, ambos em Resende. O Versa é importado do México. A fábrica atingiu 800 mil veículos produzidos em setembro de 2026.

Por que a Nissan Frontier saiu de linha no Brasil?

A picape encerrou o ciclo comercial em agosto de 2026, depois de cair de 9.258 unidades em 2024 para 1.002 de janeiro a julho de 2026. Era importada do México e da Argentina, e a produção argentina foi encerrada dentro do plano de reestruturação Re:Nissan. A substituta anunciada é a Frontier Pro, híbrida plug-in de origem chinesa.

O que é o plano Re:Nissan?

É o plano de reestruturação global anunciado em 13 de maio de 2025, que prevê corte de 20 mil postos até o ano fiscal 2027, redução de 17 para 10 fábricas e corte de 500 bilhões de ienes em custos. Na América Latina fechou as fábricas de Córdoba, Aguascalientes e Civac, mas manteve e acelerou Resende.

A Nissan vende carro elétrico no Brasil?

Não vende zero-quilômetro. O Leaf saiu do catálogo brasileiro em fevereiro de 2024 e segue disponível apenas por assinatura. O sedã elétrico N7, desenvolvido com a Dongfeng, foi flagrado em testes no país, mas não tem lançamento confirmado oficialmente.

Quanto a Nissan vendeu no Brasil em 2026?

Foram 49.925 emplacamentos de janeiro a agosto de 2026, 2,64% de participação e décima segunda posição, contra 3,05% em 2025 e 3,52% em 2024, em um mercado que cresceu no mesmo período.

Fontes: Nissan Global, releases do plano Re:Nissan e dos resultados dos anos fiscais 2024, 2025 e do primeiro trimestre de 2026||Nissan Brasil, releases institucionais dos 22 anos no país, da inauguração de Resende e do Kait||Fenabrave, relatórios de emplacamentos de 2024, 2025 e agosto de 2026||AutoData, sobre o fim dos ajustes do Re:Nissan na América Latina||O Tempo e CNN Brasil, sobre a renovação da linha brasileira e o Nissan Pixo
fábrica Nissan Resende||Re:Nissan||Nissan Kait||Nissan Frontier fim de linha
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