Nova Hilux eletrificada: Toyota aprova US$ 1,3 bilhão em Zárate, de onde sai a picape vendida no Brasil
Projeto entrou no regime de incentivos argentino e é o maior da história da indústria automotiva do país; a nova geração deve chegar ao Brasil em 2027

O que você precisa saber
- O governo argentino aprovou em 30 de setembro a entrada do projeto da Toyota no RIGI
- O investimento é de US$ 1,341 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões em conversão simples
- É o maior aporte já anunciado na indústria automotiva da Argentina
- A Toyota fala em um veículo eletrificado sem dizer qual; a imprensa argentina aponta a nova Hilux
- Cerca de 70% da produção será exportada, com vendas externas de US$ 1,28 bilhão por ano
- São previstos 3,6 mil empregos na obra e 2,6 mil na operação
- A decisão final ainda depende da matriz da Toyota no Japão
- Zárate produz Hilux, SW4 e Hiace e é a origem das Hilux vendidas no Brasil
A picape média mais vendida da Argentina, e uma das mais conhecidas do Brasil, vai trocar de geração com motor elétrico no meio. Em 30 de setembro de 2026, o governo argentino aprovou a entrada da Toyota no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) com um projeto de US$ 1,341 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões em conversão simples, para produzir um veículo eletrificado em Zárate, na província de Buenos Aires.
O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Luis Caputo, que chamou o aporte de o maior da história da indústria automotiva argentina. É também o primeiro projeto de montadora aprovado no RIGI, regime até agora dominado por mineração e petróleo.
Qual carro vai sair de lá
A Toyota foi mais cautelosa que o governo. Em comunicado, falou apenas em "veículo eletrificado" e disse que prazos e planos de produção serão informados depois. Caputo, por sua vez, citou uma nova planta para um veículo 100% eletrificado, tecnologia que hoje não se fabrica no país.
A imprensa argentina não tem dúvida sobre o modelo. O La Nación apurou que o programa é a nona geração da Hilux, apresentada em novembro de 2025 na Tailândia, com versões diesel e eletrificadas. A versão elétrica a bateria deve mirar primeiro a mineração e operações industriais com rotas previsíveis e recarga na base; a híbrida leve, a diesel, teria uso mais amplo.
Na Tailândia, a Hilux elétrica já é produzida com dois motores que somam 196 cv e 470 Nm, tração integral permanente e bateria de 59,2 kWh, com autonomia de cerca de 300 km.
Os números do projeto
| Item | Valor | | --- | --- | | Investimento | US$ 1,341 bilhão | | Exportação prevista | cerca de 70% da produção | | Vendas externas por ano | US$ 1,28 bilhão | | Empregos na obra | mais de 3,6 mil | | Empregos na operação | cerca de 2,6 mil |
Ainda falta o sinal verde do Japão
O ponto de atenção é que a aprovação no RIGI não equivale a uma decisão de investimento. A própria Toyota disse que o enquadramento "permite avançar no processo de aprovação final" pela matriz. No Colóquio de IDEA, em Mar del Plata, o presidente da Toyota Argentina, Gustavo Salinas, evitou detalhar o modelo, mas afirmou que sem o RIGI o projeto provavelmente não seria feito, pela previsibilidade de regras que o regime dá no longo prazo.
Zárate emprega cerca de 8 mil pessoas em três turnos, produz Hilux, SW4 e Hiace e projeta fechar 2026 com 183 mil unidades, 80% delas exportadas, segundo Salinas.
O que isso significa para o Brasil
É de Zárate que vêm as Hilux e SW4 vendidas aqui. Segundo apuração da Autoesporte, a nova geração da picape chega ao Brasil em 2027, o que coloca a Hilux no já cheio calendário de lançamentos de 2027.
A eletrificação chega num segmento em transformação. As picapes médias e intermediárias ganharam rivais novas, como a Renault Niagara, e o comparativo de picapes do Eixo Motor mostra como a faixa de preço ficou disputada. Nos Estados Unidos, a Ford aposta em outro caminho com a Fathom elétrica de US$ 30 mil.
A Toyota também investe do lado brasileiro: o perfil da marca detalha o plano de R$ 11 bilhões em Sorocaba e Porto Feliz. Para entender a diferença entre híbrido leve, pleno e plug-in, veja o guia dos híbridos. E o peso da Argentina no comércio de veículos com o Brasil está na análise sobre a exportação brasileira em 2026.
Perguntas frequentes
Quanto a Toyota vai investir na Argentina?
O projeto aprovado no RIGI soma US$ 1,341 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões em conversão simples. A própria Toyota arredonda para US$ 1,3 bilhão e diz que é o maior da história da indústria automotiva argentina.
A nova Hilux será híbrida ou elétrica?
A Toyota não confirmou o modelo nem a tecnologia. O ministro Luis Caputo falou em veículo 100% eletrificado, e a imprensa argentina aponta a nona geração da Hilux, com versões híbrida leve e elétrica a bateria.
Quando a nova Hilux chega ao Brasil?
Segundo apuração da Autoesporte, a nova geração chega ao Brasil em 2027. A Toyota ainda não divulgou o cronograma de produção da nova linha de Zárate.
Por que a fábrica argentina importa para o Brasil?
Porque a Hilux e a SW4 vendidas no Brasil vêm de Zárate. O que for decidido lá define o que chega às concessionárias brasileiras, com isenção de imposto de importação dentro do acordo automotivo do Mercosul.
O investimento já está garantido?
Ainda não. A entrada no RIGI garante as regras fiscais, mas a Toyota informou que isso permite avançar no processo de aprovação final pela matriz. O presidente da filial, Gustavo Salinas, disse que sem o RIGI o projeto provavelmente não sairia.
Como é a Hilux elétrica vendida em outros mercados?
Na Tailândia, onde já é produzida, a versão elétrica tem dois motores que somam 196 cv e 470 Nm, tração integral e bateria de 59,2 kWh, com autonomia de cerca de 300 km, segundo a imprensa argentina.
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