Anfavea eleva projeção e Brasil deve vender 3,1 milhões de veículos em 2026, primeira vez desde 2014
Setembro teve 281,4 mil emplacamentos e a melhor produção para o mês em 12 anos; a entidade agora espera alta de 15,2% nas vendas, mas exportação cai 17,7%

Dado central da análise
Quantos veículos a Anfavea agora espera emplacar no Brasil em 2026, alta de 15,2% e o maior volume desde 2014.
O que você precisa saber
- A Anfavea agora projeta cerca de 3,1 milhões de veículos emplacados em 2026, alta de 15,2%
- Em janeiro, a previsão de alta nas vendas era de 2,7%
- Setembro teve 281,4 mil emplacamentos, mais 15,7% sobre setembro de 2025 e o maior volume mensal desde dezembro de 2014
- A produção de setembro foi de 268,3 mil unidades, o melhor setembro desde 2014
- De janeiro a setembro, as vendas somam 2,257 milhões (mais 18,1%) e a produção 2,166 milhões (mais 8,7%)
- Exportações devem cair 17,7% no ano, para cerca de 435 mil unidades, puxadas pela Argentina
O mercado brasileiro de veículos caminha para o melhor ano em mais de uma década. A Anfavea revisou suas projeções em 7 de outubro e agora espera cerca de 3,1 milhões de veículos emplacados em 2026, alta de 15,2% sobre 2025. Se o número se confirmar, o país volta a um volume que não via desde 2014. Em janeiro, a mesma entidade previa crescimento de só 2,7%.
Setembro puxou a revisão
O gatilho foi o resultado de setembro. Foram 281,4 mil emplacamentos, alta de 15,7% sobre o mesmo mês de 2025 e de 2,3% sobre agosto, o maior volume mensal desde dezembro de 2014. A produção somou 268,3 mil unidades, 10,2% acima de setembro do ano passado, o melhor setembro da indústria em 12 anos. Os números da Fenabrave já tinham mostrado o tamanho do mês no balanço das vendas de setembro.
| Indicador | Projeção de janeiro | Projeção de outubro | | --- | --- | --- | | Vendas totais | alta de 2,7% | alta de 15,2% (cerca de 3,1 milhões) | | Produção | alta de 3,7% | alta de 6,7% (cerca de 2,82 milhões) | | Leves | não informado | alta de 16,4% | | Pesados | não informado | queda de 6,5% | | Exportação | não informado | queda de 17,7% (cerca de 435 mil) |
No acumulado de janeiro a setembro, as vendas chegam a 2,257 milhões de unidades, alta de 18,1%. O crédito ajuda: o financiamento de veículos teve o melhor agosto em 15 anos, e a venda direta para frotistas e locadoras voltou a crescer no mês.
Quem ocupa o espaço
A alta não é toda de fabricação nacional. Os importados somaram 463,9 mil emplacamentos em nove meses, 30,4% a mais que em 2025, e os carros feitos na China respondem por 55% desse volume e por 11,3% de todo o mercado brasileiro, segundo a Anfavea. O avanço já tinha aparecido na conta de que os importados ficam com um quinto do mercado e na leitura da onda chinesa que vem em 2027.
Na produção, o detalhe pesa. Dos cerca de 173 mil veículos produzidos a mais no ano, 123 mil vieram da montagem de kits CKD e SKD e só 50 mil da fabricação nacional plena. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, alertou que esse modelo gera menos empregos e compra menos autopeças locais. A entidade fala em pressão sobre a balança comercial do setor, porque a importação sobe enquanto a exportação cai. A eletrificação explica boa parte desse movimento, e os números estão na análise sobre a venda de eletrificados até setembro.
O ponto fraco é a Argentina
As exportações somaram 334 mil unidades de janeiro a setembro, queda de 23%, e ficaram abaixo de 40 mil por mês pelo sexto mês seguido. Segundo Calvet, 96% da queda se explica pela Argentina, que comprou quase 100 mil veículos a menos. O mercado vizinho encolheu e o produto brasileiro perdeu espaço para chineses e mexicanos, cenário que o portal já tinha descrito na queda da exportação de veículos em 2026.
O que pode mudar até dezembro
A projeção de 3,1 milhões depende de três fatores. O primeiro é o crédito, que segue caro com a Selic alta. O segundo é a tributação: o Imposto Seletivo sobre carros ficou para 2027, o que tira uma incerteza do último trimestre. O terceiro é o preço, que caiu em vários segmentos com a guerra de preços entre SUVs médios e com o IPI zero do Carro Sustentável.
Para quem vai comprar, o mercado aquecido tem efeito duplo. Há mais oferta e mais campanha, mas o desconto tende a encolher quando a fila nas concessionárias aumenta. Os comparativos de SUVs e de hatches mostram onde estão os preços de tabela hoje. Já o transporte pesado vai na direção contrária, como mostra a análise da produção de caminhões em setembro.
Perguntas frequentes
Quantos veículos o Brasil deve vender em 2026?
Cerca de 3,1 milhões de autoveículos, somando carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo a projeção revisada da Anfavea em outubro de 2026. Seria alta de 15,2% sobre 2025.
Quando foi a última vez que o Brasil vendeu mais de 3 milhões de veículos?
Em 2014. Desde então o mercado não voltou a esse patamar, que agora a Anfavea considera alcançável.
Quanto a Anfavea previa no começo do ano?
Em janeiro, a entidade esperava alta de 2,7% nas vendas e de 3,7% na produção. Agora projeta 15,2% e 6,7%.
Quantos veículos foram vendidos em setembro de 2026?
Foram 281,4 mil emplacamentos, alta de 15,7% sobre setembro de 2025 e de 2,3% sobre agosto, o maior volume mensal desde dezembro de 2014.
Por que a produção cresce menos que as vendas?
Porque parte do crescimento vem de importados e da montagem de kits CKD e SKD. Dos cerca de 173 mil veículos a mais produzidos no ano, 123 mil vieram de kits e só 50 mil da fabricação nacional plena.
Por que as exportações estão caindo?
A Argentina comprou quase 100 mil unidades a menos, por causa da retração do mercado de lá e da concorrência de carros chineses e mexicanos. A Anfavea prevê queda de 17,7% no ano.
Caminhões e ônibus também crescem?
Não. A Anfavea espera alta de 16,4% para leves e queda de 6,5% para pesados em 2026.
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