Venda de carros eletrificados cresce 126% até setembro e já é 20% do mercado, diz Anfavea
Foram 434 mil elétricos e híbridos em nove meses; os 100% elétricos triplicaram, e a montagem de kits CKD e SKD virou a nova preocupação da indústria

Dado central da análise
Fatia dos carros eletrificados no mercado brasileiro de leves de janeiro a setembro de 2026, quase o dobro dos 10,6% de um ano antes.
O que você precisa saber
- De janeiro a setembro de 2026 foram vendidos 434 mil carros eletrificados, alta de 126,2%
- A participação dos eletrificados no mercado de leves foi de 10,6% para 20,1%
- Os 100% elétricos somaram 167 mil, mais que o triplo dos 54 mil de 2025
- Híbridos plug-in foram 137 mil (alta de 110,7%) e híbridos convencionais 130 mil (alta de 80,1%)
- 262 mil eletrificados vieram importados, 72 mil foram fabricados no país e 100 mil montados com kits CKD e SKD
- A Anfavea esperava esse nível de eletrificação só por volta de 2030
A eletrificação deixou de ser nicho no Brasil. De janeiro a setembro de 2026, foram vendidos 434 mil carros eletrificados, alta de 126,2% sobre os 192 mil do mesmo período de 2025, segundo a Anfavea. Com isso, elétricos e híbridos passaram a responder por 20,1% do mercado de veículos leves, quase o dobro dos 10,6% de um ano antes.
O que mais cresceu
| Tecnologia | Janeiro a setembro de 2026 | Mesmo período de 2025 | Variação | | --- | --- | --- | --- | | Elétrico puro (BEV) | 167 mil | 54 mil | alta de 206,1% | | Híbrido plug-in (PHEV) | 137 mil | 65 mil | alta de 110,7% | | Híbrido convencional (HEV) | 130 mil | 72 mil | alta de 80,1% | | Total | 434 mil | 192 mil | alta de 126,2% |
O elétrico puro foi o que mais avançou e ultrapassou as duas versões híbridas. É o efeito dos modelos de entrada mais baratos, como o Dolphin Mini, que chegou ao pódio dos mais vendidos do país em setembro. As diferenças entre as tecnologias estão explicadas no guia dos híbridos MHEV, HEV e PHEV, e os preços atuais aparecem nos comparativos de elétricos e de híbridos.
Os números da Anfavea consideram emplacamentos do ano. A ABVE, que mede a frota acumulada, já tinha registrado que o Brasil passou de 1 milhão de eletrificados em circulação.
De onde vêm esses carros
A origem dos eletrificados é o ponto que mais incomoda a indústria instalada.
| Origem | Janeiro a setembro de 2026 | Variação | | --- | --- | --- | | Importados | 262 mil | alta de 82,7% | | Fabricados no Brasil | 72 mil | alta de 49,2% | | Montados com kits CKD ou SKD | 100 mil | sem base de comparação |
A montagem de kits é a novidade do ano. No CKD, o carro chega desmontado; no SKD, parcialmente montado. A fábrica brasileira faz o fechamento final. É o modelo adotado nas primeiras etapas da BYD em Camaçari e da Geely em São José dos Pinhais. Somando todos os tipos de motor, a montagem CKD e SKD chegou a 123 mil veículos, 5,4% da produção nacional, volume maior que o de cerca de 60% das fábricas do país.
A virada no discurso da Anfavea
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse que a eletrificação deixou de ser tendência e virou realidade de mercado. Segundo ele, a entidade previa esse patamar só por volta de 2030 e foi surpreendida. "Olhando pelo retrovisor talvez possamos ter sido lentos", afirmou.
A preocupação agora é com a forma como esse carro chega. Calvet defendeu a "sofisticação produtiva" da cadeia e disse que os incentivos à montagem de kits são a grande preocupação da entidade, porque esse modelo gera menos empregos e compra menos peças locais. O tema vai pesar na discussão das regras do Mover e da reciclabilidade veicular a partir de 2027, além do debate sobre o Imposto Seletivo.
O que isso muda para quem compra
Para o consumidor, mais volume significa mais modelos e mais disputa de preço. A conta de uso também ficou mais clara: o portal já comparou o custo total em cinco anos e o custo por quilômetro do elétrico contra o carro a combustão. O gargalo que resta é a recarga fora de casa, que avançou para quase 30 mil pontos no país. O peso dos eletrificados no mercado total aparece no balanço geral da Anfavea para 2026.
Perguntas frequentes
Quantos carros eletrificados foram vendidos no Brasil em 2026?
De janeiro a setembro, 434 mil unidades, alta de 126,2% sobre os 192 mil do mesmo período de 2025, segundo a Anfavea.
Qual a participação dos eletrificados no mercado?
20,1% das vendas de veículos leves em nove meses, contra 10,6% no mesmo período do ano anterior.
Qual tipo de eletrificado vende mais?
O 100% elétrico (BEV), com 167 mil unidades. Em seguida vêm o híbrido plug-in (PHEV), com 137 mil, e o híbrido convencional (HEV), com 130 mil.
O que é montagem CKD e SKD?
É a produção a partir de kits importados. No CKD o carro chega totalmente desmontado; no SKD, parcialmente montado. A fábrica brasileira faz a montagem final, com menos peças locais que na fabricação completa.
Por que a Anfavea critica o CKD?
Porque, segundo a entidade, a montagem de kits gera menos empregos e compra menos autopeças nacionais. Em 2026 ela respondeu por 123 mil veículos, 5,4% da produção do país, e 100 mil desses eram eletrificados.
A Anfavea esperava esse crescimento?
Não. O presidente da entidade, Igor Calvet, disse que a previsão era chegar a esse nível só por volta de 2030 e admitiu que a associação pode ter sido lenta nas projeções.
Relacionadas

Corolla Cross XRV Hybrid: Toyota cria híbrido flex de entrada por R$ 213.990 e mira os SUVs chineses
A Toyota lançou em 2 de outubro de 2026 a versão XRV Hybrid do Corolla Cross, que passa a ser a porta de entrada do SUV com motorização híbrida, por R$ 213.990. Ela usa o mesmo sistema da XRX Hybrid: motor 1.8 flex de ciclo Atkinson, com até 101 cv no etanol e 98 cv na gasolina, e dois motores elétricos de 72 cv. É um híbrido pleno autorrecarregável, que não precisa de tomada. O pacote de equipamentos parte da XRE a combustão, com Toyota Safety Sense, sete airbags e central de 10,1 polegadas. As primeiras unidades chegam às concessionárias na segunda quinzena de outubro.

Reciclabilidade veicular: a partir de 2027, carro novo terá de ser 80% reciclável no Brasil
A partir de 1º de janeiro de 2027, todo automóvel e comercial leve (categorias M1 e N1) vendido no Brasil terá de ser construído para que no mínimo 80% da sua massa seja reutilizável ou reciclável e 85% seja reutilizável ou recuperável, pela metodologia ISO 22628. A exigência está no Anexo III do Decreto 12.435/2025, que regulamenta o Programa Mover, e a régua sobe para 85% e 95% em projetos novos lançados a partir de 2027 e para toda a frota nova a partir de 2030. Sem o laudo de reciclabilidade, o fabricante não obtém o código de marca, modelo e versão no Renavam.

Manutenção de elétrico e de combustão: três revisões contra seis, e o que o elétrico cobra de volta no pneu
Até 60.000 quilômetros, um elétrico faz três revisões e gasta entre R$ 1.310 e R$ 2.898, conforme a marca. Um hatch popular a combustão faz seis revisões no mesmo percurso e gasta entre R$ 4.692 e R$ 4.939,43. A diferença vem do intervalo: 20.000 quilômetros no elétrico contra 10.000 no combustão. Em compensação, estudo da JD Power aponta desgaste de pneu até 30% maior nos elétricos, por causa do peso da bateria e do torque imediato.