Geely começa a produzir no Brasil e transforma a fábrica da Renault em base compartilhada
O EX5 EM-i é o primeiro Geely fabricado nas Américas; a planta do Paraná passa a rodar quatro plataformas e dois modelos de cada marca, e a produção local protege a chinesa do imposto de 35% sobre eletrificados

Dado central da análise
Por ano é a capacidade do Complexo Ayrton Senna, que opera hoje a cerca de 60% e agora produz Renault e Geely na mesma linha.
O que você precisa saber
- A produção do Geely EX5 EM-i começou em São José dos Pinhais, no Complexo Ayrton Senna, unidade CVU
- É o primeiro Geely fabricado nas Américas, com lançamento comercial ainda em 2026
- O Geely EX2, hatch 100% elétrico, entra em produção em dezembro de 2026, começando em regime CKD
- A Geely detém 26,4% da Renault do Brasil desde novembro de 2025
- O complexo tem 380 mil unidades por ano de capacidade e opera a cerca de 60%, em dois turnos, com cerca de 5 mil pessoas
- A linha comporta quatro plataformas ao mesmo tempo e produz combustão, híbrido flex e elétrico na mesma estrutura
- A produção nacional protege a marca do imposto de importação de eletrificados, que chegou a 35% em julho de 2026
- A Geely vendeu 25 mil veículos no primeiro ano de operação e tem 40 concessionárias em 24 estados
O primeiro Geely fabricado nas Américas saiu da linha em São José dos Pinhais. É o EX5 EM-i Super Hybrid, e ele nasce numa fábrica que até outro dia era só da Renault.
O detalhe organiza o resto da história. O Complexo Ayrton Senna deixou de ser a planta de uma montadora francesa e virou base compartilhada entre uma francesa e uma chinesa, com quatro plataformas rodando ao mesmo tempo e dois modelos de cada marca no plano.
O que está em operação
- Geely EX5 EM-i: produção iniciada, lançamento comercial nas concessionárias ainda em 2026
- Geely EX2, hatch elétrico: produção a partir de dezembro de 2026, começando em regime CKD com nacionalização progressiva
- Renault eletrificado inédito: 2027, sobre plataforma GEA
- atualização de um Renault já produzido lá
A planta tem 380 mil unidades por ano de capacidade, produzia cerca de 170 mil e opera a 60%, em dois turnos, com aproximadamente 5 mil pessoas. Mais de 2 mil trabalharam na reforma da fábrica, feita em pouco mais de 30 dias na virada do ano. Ariel Montenegro chamou o processo de a maior transformação que a fábrica passou em quinze anos.
A estrutura recebe combustão, híbrido flex e 100% elétrico na mesma linha. Isso não é detalhe de engenharia; é seguro contra mudança de regra, de imposto e de preferência do consumidor.
A conta que explica a pressa
O imposto de importação sobre eletrificados chegou a 35% em julho de 2026. Para quem trazia carro pronto da China, isso muda a planilha de um dia para o outro.
Produzir aqui resolve quatro coisas ao mesmo tempo: tira o imposto de importação da conta, corta custo logístico, reduz a exposição ao câmbio e encurta o prazo de entrega. O detalhamento da regra tributária está em Imposto de importação de eletrificados sobe para 35%.
É a mesma lógica que move BYD em Camaçari, CAOA em Anápolis e GWM em Iracemápolis. O mapa completo está em As montadoras chinesas que estão montando fábrica no Brasil.
O que muda para quem compra
Preço: a apuração indica que a faixa atual do EX5 EM-i, de R$ 189.990 a R$ 234.990, deve permanecer no curto prazo, porque o modelo foi lançado em abril de 2026. A montadora não divulgou tabela nova.
Entrega: melhora. Sem travessia transoceânica, o estoque se ajusta à demanda em semanas, não em meses.
Peças: ainda não. Os primeiros carros saem com baixo índice de conteúdo local, e a nacionalização é gradual, em negociação com fornecedores. O índice não foi divulgado. Na prática, quem comprar agora um Geely nacional ainda depende de peça vinda de fora para boa parte do que quebra.
Pós-venda: nenhuma das fontes detalhou mudança estrutural. É o ponto mais fraco da comunicação do anúncio e o que mais interessa a quem vai rodar o carro por cinco anos.
Por que a fábrica compartilhada é o dado
A Geely vendeu 25 mil veículos no primeiro ano de operação brasileira, com o EX2 respondendo por 17.222 unidades e figurando como terceiro elétrico mais vendido do país. A rede tem 40 concessionárias em 24 estados, com meta de 90% de cobertura nacional até o fim do ano. A operação integrada Renault-Geely cresceu 35% em vendas no primeiro semestre.
Nada disso exige fábrica nova. O que exige é uma fábrica que já existe e está com 40% de capacidade ociosa.
A Renault tinha linha sobrando e precisava de tecnologia eletrificada. A Geely tinha tecnologia e precisava de linha. O acordo resolveu os dois problemas sem que nenhuma das duas erguesse um galpão.
Victor Yang, do Geely Holding Group, chamou a produção local de marco histórico e falou em lançar um veículo por ano, mirando o top 3 a 5 do mercado brasileiro, sem combustão pura no plano.
O passo seguinte já está anunciado, e está em Renault e Geely põem mais R$ 2 bilhões no Paraná.
Perguntas frequentes
Qual foi o primeiro Geely produzido no Brasil?
O EX5 EM-i Super Hybrid, na unidade CVU do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. É também o primeiro Geely fabricado nas Américas.
Quando o Geely EX2 começa a ser produzido?
Em dezembro de 2026, sobre a mesma arquitetura GEA. As fontes de imprensa indicam início em regime CKD, com componentes importados da China e nacionalização progressiva.
O preço do Geely EX5 vai cair com a produção nacional?
A apuração indica que a faixa atual, de R$ 189.990 a R$ 234.990, deve permanecer no curto prazo, porque o modelo foi lançado em abril de 2026. A montadora não divulgou nova tabela.
O que muda com a produção nacional?
Proteção contra a alta do imposto de importação de eletrificados, que chegou a 35% em julho de 2026, redução de custo logístico, menor exposição ao câmbio, melhor disponibilidade nas lojas e prazos de entrega mais curtos.
A Geely é dona da Renault no Brasil?
Não. A Geely detém 26,4% da Renault do Brasil. A joint venture, chamada Renault Geely do Brasil, foi constituída em 3 de novembro de 2025 e é presidida por Ariel Montenegro, com Fabrice Cambolive na presidência do conselho.
Qual é a capacidade da fábrica de São José dos Pinhais?
380 mil unidades por ano. A planta produzia cerca de 170 mil veículos anuais e opera a cerca de 60% da capacidade, em dois turnos, com aproximadamente 5 mil pessoas.
Quantos modelos a fábrica vai produzir até 2027?
Quatro: Geely EX5 EM-i, Geely EX2, um Renault eletrificado inédito em 2027 e a atualização de um Renault já produzido lá.
Qual é a ficha do Geely EX5 EM-i?
Híbrido plug-in com 262 cv e 38,7 kgfm combinados, 0 a 100 km/h em 7,8 segundos, autonomia total de 1.300 km e até 112 km só em elétrico pelo Inmetro, com bateria LFP de 18,4 kWh nas versões Pro e Max ou 29,8 kWh na Ultra.
Quanto a Geely vende no Brasil?
Cerca de 25 mil veículos no primeiro ano de operação, encerrado em agosto de 2026. O EX2 respondeu por 17.222 unidades e é o terceiro elétrico mais vendido do país.
As peças dos Geely nacionais serão brasileiras?
No início, não. Os primeiros modelos saem com baixo índice de conteúdo local, e a empresa negocia com fornecedores uma nacionalização gradual. O índice de nacionalização não foi divulgado.
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