BYD passa a fabricar a bateria Blade em Camaçari e monta um ecossistema que vai além da montadora
A chinesa produz células no Brasil, planeja mil pontos de recarga ultrarrápida até 2027, investe até R$ 500 milhões em armazenamento de energia e já soma mais de 300 mil veículos em circulação no país

Dado central da análise
Investimento da BYD no complexo de Camaçari, que já produz a bateria Blade no Brasil e tem capacidade projetada para até 600 mil veículos por ano.
O que você precisa saber
- A BYD começou a fabricar a bateria Blade no complexo de Camaçari, na Bahia
- O investimento no complexo é de R$ 5,5 bilhões, em uma área superior a 4,6 milhões de metros quadrados
- A capacidade projetada vai de 150 mil veículos por ano na primeira fase a até 600 mil na configuração final
- A montadora tem meta de mil pontos de recarga ultrarrápida no Brasil até 2027
- A empresa anunciou investimento de até R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento de energia no país
- A BYD ultrapassou 300 mil veículos em circulação no Brasil em 2026
A BYD deixou de ser apenas uma montadora no Brasil. Entre a fábrica de Camaçari, a produção local de baterias, a rede de recarga e o negócio de armazenamento de energia, a chinesa está montando algo mais parecido com um ecossistema do que com uma operação automotiva tradicional.
O centro disso é o complexo baiano, fruto de R$ 5,5 bilhões em investimento, instalado na área que pertenceu à Ford, história que reconstituímos em Ford no Brasil: por que a primeira montadora do país fechou as fábricas e virou importadora.
A bateria Blade passa a ser feita aqui
"Nessa nossa caminhada de investimentos em Camaçari, já começamos a fabricar nossa bateria Blade", afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil.
A Blade é a tecnologia própria e patenteada da companhia, de célula LFP em formato alongado. É o componente mais caro e mais estratégico de um eletrificado, e produzi-lo localmente muda a conta de custo e de prazo.
"Nós fabricamos nossas próprias baterias e não dependemos de nenhum fornecedor para desenvolver o mercado de eletrificados em qualquer parte do mundo", disse Baldy.
Vale a ressalva: a nacionalização plena da célula depende de fatores que vão além da decisão industrial, incluindo acordos de transferência de tecnologia entre Brasil e China.
Camaçari em números
- R$ 5,5 bilhões investidos, em área superior a 4,6 milhões de metros quadrados
- 150 mil veículos por ano na primeira fase, 300 mil na segunda, projeção de até 600 mil na configuração final
- galpão de montagem final de 156 mil metros quadrados, construído ao lado do complexo antigo
- produção atual inclui Dolphin Mini, King e Song Pro, com o Song Plus previsto para as próximas etapas
O contexto industrial mais amplo está em Chinesas ocupam as fábricas que as montadoras tradicionais deixaram no Brasil e o movimento paralelo da concorrência em GWM confirma segunda fábrica no Brasil, em Aracruz.
Recarga, EREV e desenvolvimento local
Três frentes completam o desenho.
Recarga. A meta é implantar até mil pontos de recarga ultrarrápida no Brasil até 2027, inicialmente vinculados à marca Denza, com soluções que incluem armazenamento integrado para reduzir a dependência de redes elétricas robustas. "O grande desafio é vencer a ansiedade de recarga", disse Baldy. O estado atual da infraestrutura está em Eletropostos no Brasil em 2026.
EREV. Além dos elétricos puros, a marca amplia o uso de sistemas com extensor de autonomia, nos quais o motor a combustão atua apenas como gerador. É uma resposta direta a mercados onde a rede de recarga ainda está em formação.
Desenvolvimento. Parte das atividades fica na Bahia, junto à operação industrial, e um centro no Rio de Janeiro deve atuar em pesquisa, experiência de produto e tecnologias de condução assistida.
O negócio de energia
Em agosto de 2026 a BYD anunciou investimento de até R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento de energia, os BESS, no Brasil.
"O Brasil reúne todas as condições para se tornar um dos principais mercados de armazenamento de energia do mundo", afirmou Nelson Stanisci, diretor de Armazenamento de Energia da BYD Brasil. Entre as soluções apresentadas está o BYD Haohan XN, de 14.568 kWh, com a maior célula LFP do mundo, de 2.710 Ah, capaz de reduzir em 52% a quantidade de contêineres e em 33% a área ocupada em projetos de grande escala.
Não é diversificação aleatória: a empresa nasceu fabricante de baterias e mantém no Brasil plantas de módulos fotovoltaicos e chassis de ônibus elétricos em Campinas e de baterias em Manaus.
O que isso muda para o mercado
A BYD ultrapassou 300 mil veículos em circulação no Brasil em 2026 e, em agosto, emplacou 24.467 unidades com 9,3% do mercado, encostando na Chevrolet, conforme Emplacamentos crescem 16,87% em agosto.
O efeito sobre a cadeia local é o ponto em aberto, tema de Autopeças 2026: déficit comercial e importação chinesa, assim como a tributação da importação, em Imposto de importação de eletrificados chega a 35%. Para frota, a conta continua sendo a de quando a eletrificação fecha.
Perguntas frequentes
A BYD produz baterias no Brasil?
Sim. Segundo o vice-presidente sênior da BYD Brasil, Alexandre Baldy, a empresa começou a fabricar a bateria Blade no complexo de Camaçari, na Bahia, dentro do plano de nacionalização progressiva da produção.
Qual a capacidade da fábrica da BYD em Camaçari?
A capacidade projetada é escalonada: 150 mil veículos por ano na primeira fase, 300 mil na segunda e projeção de chegar a 600 mil unidades anuais na configuração final.
Quanto a BYD investiu em Camaçari?
R$ 5,5 bilhões no complexo, instalado na área que pertenceu à Ford, com mais de 4,6 milhões de metros quadrados.
O que é a bateria Blade?
É a tecnologia própria e patenteada da BYD, de célula LFP em formato alongado, usada tanto nos veículos eletrificados da marca quanto em sistemas de armazenamento de energia.
O que é EREV?
É a sigla para veículo elétrico com extensor de autonomia. Nesse arranjo, o motor a combustão não traciona o veículo: funciona como gerador para a bateria. A BYD vem ampliando o uso dessa configuração em mercados onde a infraestrutura de recarga ainda está em desenvolvimento.
Quantos pontos de recarga a BYD quer instalar no Brasil?
A meta divulgada é de até mil pontos de recarga ultrarrápida até 2027, inicialmente vinculados à marca Denza, com soluções que incluem armazenamento de energia integrado.
O que é BESS?
É a sigla para sistema de armazenamento de energia em baterias. A BYD anunciou investimento de até R$ 500 milhões nesse mercado no Brasil.
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