GWM confirma segunda fábrica no Brasil, em Aracruz, com 200 mil veículos por ano a partir de 2029
A unidade capixaba terá quatro vezes a capacidade da fábrica de Iracemápolis e vai produzir elétricos, híbridos e veículos a combustão na mesma plataforma industrial

O que você precisa saber
- A GWM confirmou sua segunda fábrica no Brasil, na cidade de Aracruz, no Espírito Santo
- O terreno tem 1,7 milhão de metros quadrados e foi doado pelo governo estadual, às margens da ES-257
- A previsão de inauguração é 2029, com capacidade de 200 mil veículos por ano
- O primeiro modelo a ser montado será o Ora 5, SUV compacto elétrico
- A unidade produzirá elétricos, híbridos e veículos a combustão na mesma plataforma industrial
- O projeto faz parte de um pacote de R$ 10 bilhões da GWM no Brasil até 2032
A GWM confirmou sua segunda fábrica no Brasil, em Aracruz, no Espírito Santo. A unidade tem previsão de inauguração em 2029 e capacidade de 200 mil veículos por ano, quatro vezes o volume da primeira planta da marca no país, em Iracemápolis, São Paulo, inaugurada em agosto de 2025.
O anúncio foi feito no Espírito Santo, com executivos da montadora e representantes do governo local.
O que foi anunciado
- terreno de 1,7 milhão de metros quadrados, doado pelo governo estadual, às margens da rodovia ES-257
- unidade greenfield, erguida do zero, dentro de um parque industrial que já abriga produtoras de celulose
- primeiro modelo: o Ora 5, SUV compacto elétrico
- produção de elétricos, híbridos e veículos a combustão na mesma plataforma industrial
- até 10 mil empregos diretos e indiretos em pleno funcionamento, e de 1,5 mil a 3,5 mil postos durante a construção
- parte de um pacote de R$ 10 bilhões da GWM no Brasil até 2032
Será a primeira montadora de veículos instalada no Espírito Santo.
Peça por peça, e não kit
Um detalhe técnico separa a GWM de boa parte das chinesas que chegaram ao Brasil. A montadora produz em Iracemápolis pelo sistema peça por peça, e por isso não se beneficia da renovação das cotas isentas de impostos para kits CKD e SKD importados da China, segundo decisão do governo federal. A empresa informou já ter atingido 12 mil veículos produzidos em 2026.
Essa distinção é a mesma que analisamos em Importados já são um quinto do mercado brasileiro, onde a Anfavea aponta que dois terços do crescimento da produção nacional no ano vieram de kits montados aqui.
"É uma briga acirrada pelo domínio de território e capacidade de produção", avalia Milad Kalume, da consultoria K. Lume, sobre a disputa entre as montadoras chinesas pelo consumidor brasileiro.
Mão de obra é parte do projeto
O diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil, Ricardo Bastos, afirmou que a formação de profissionais é um dos focos do investimento. "Por se tratar de uma operação industrial automotiva moderna e pronta para diferentes tecnologias, esperamos contratar em diferentes níveis de qualificação", disse, citando profissionais operacionais, técnicos especializados e engenheiros ligados tanto à manufatura quanto ao desenvolvimento de produto.
O mapa industrial que se redesenha
Pelo menos oito montadoras já anunciaram produção de veículos no Brasil, o sexto maior mercado automotivo do mundo, com mais de 2 milhões de unidades vendidas por ano. A GWM, ao lado da BYD, foi uma das primeiras chinesas a iniciar produção local.
De Iracemápolis saem hoje a família híbrida Haval H6 e os modelos a diesel Haval H9 e a picape Poer P30. Em agosto de 2026 a marca emplacou 9.825 veículos e ficou com 3,73% do mercado, conforme Emplacamentos crescem 16,87% em agosto.
O movimento de ocupação industrial pelas chinesas está reconstituído em Chinesas ocupam as fábricas que as montadoras tradicionais deixaram no Brasil, e o contraponto histórico em Ford no Brasil e no perfil da Fiat.
O que acompanhar até 2029
Três variáveis definem se o cronograma se cumpre: a curva de demanda por eletrificados, mapeada em Brasil chega a 1 milhão de eletrificados; o calendário da tarifa de importação, em Imposto de importação de eletrificados chega a 35%; e a capacidade da cadeia local de fornecer para mais uma planta, tema de Autopeças 2026.
Perguntas frequentes
Onde fica a nova fábrica da GWM no Brasil?
Em Aracruz, no Espírito Santo, em terreno de 1,7 milhão de metros quadrados doado pelo governo estadual, às margens da rodovia ES-257, dentro de um parque industrial onde já operam produtoras de celulose.
Quando a fábrica de Aracruz começa a operar?
A previsão divulgada pela montadora é 2029. Trata-se de uma unidade greenfield, erguida do zero.
Qual será a capacidade da nova unidade?
200 mil veículos por ano, quatro vezes o volume previsto para a primeira fábrica da GWM no país, em Iracemápolis, São Paulo, inaugurada em agosto de 2025.
Qual será o primeiro modelo produzido em Aracruz?
O Ora 5, SUV compacto elétrico lançado recentemente pela marca no Brasil.
Quantos empregos a fábrica deve gerar?
A expectativa é de até 10 mil empregos diretos e indiretos com a unidade em pleno funcionamento. Durante a construção, entre 1,5 mil e 3,5 mil postos de trabalho devem ser abertos.
Quanto a GWM está investindo no Brasil?
O projeto faz parte de um pacote de R$ 10 bilhões até 2032. Mais de R$ 4 bilhões já foram usados na compra da unidade de Iracemápolis, que pertencia à Mercedes-Benz.
A GWM monta kits importados?
Não. Segundo a montadora, a produção em Iracemápolis é feita pelo sistema peça por peça, e por isso a empresa não se beneficia da renovação das cotas isentas de impostos para kits CKD e SKD importados da China.
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