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Frete rodoviário opera 10,5% abaixo do custo, e a fiscalização eletrônica do piso já aplicou R$ 354 milhões em multas

Levantamento da NTC mostra transportadoras sem conseguir repassar a alta das despesas; ao mesmo tempo, o bloqueio automático do CIOT passou a impedir o frete irregular antes da viagem

Frete rodoviário opera 10,5% abaixo do custo, e a fiscalização eletrônica do piso já aplicou R$ 354 milhões em multas
Imagem: Foto: Omar Gerardo/Pexels

Dado central da análise

10,5%

Defasagem média entre o frete praticado e o custo efetivo da operação no primeiro semestre de 2026, segundo o DECOPE da NTC&Logística.

O que você precisa saber

  • A defasagem entre frete praticado e custo efetivo foi de 10,5% no primeiro semestre de 2026
  • O indicador vem caindo: era 15,3% em 2024 e cerca de 13% em 2025
  • O diesel subiu 17,63% no semestre e responde por 44,7% dos custos do transporte rodoviário
  • O Índice Nacional de Custos de Transporte subiu 8,36% em lotação e 8,19% em carga fracionada em 12 meses, acima do IPCA de 4,64%
  • A ANTT já aplicou mais de R$ 354 milhões em multas por descumprimento do piso em 2026, em mais de 90 mil autuações
  • Desde maio, o CIOT incompatível com o piso é bloqueado automaticamente, antes de a viagem acontecer

O transporte rodoviário de cargas fechou o primeiro semestre de 2026 com uma defasagem média de 10,5% entre o frete praticado e o custo efetivo da operação, segundo levantamento do DECOPE, o departamento de custos da NTC&Logística. Na prática, para cada R$ 100 de custo, o mercado remunerou cerca de R$ 89,50.

O número melhorou em relação aos anos anteriores, mas continua negativo.

A curva da defasagem

  • 2024: 15,3%
  • 2025: cerca de 13%
  • 1º semestre de 2026: 10,5%

A redução mostra que as transportadoras conseguiram repassar parte da alta das despesas. Não mostra que a conta fechou.

O diesel é quase metade do custo

O principal fator de pressão é o combustível. O diesel acumulou alta de 17,63% nos primeiros seis meses do ano e passou a representar 44,7% dos custos do transporte rodoviário. A nova escalada de setembro, que detalhamos em Diesel volta a subir e governo monta pacote de R$ 7 bilhões por mês, recoloca a pressão.

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Os outros componentes também subiram:

  • mão de obra: alta de 5% no semestre
  • caminhões: alta de 1,32%
  • INCT em 12 meses: 8,36% em lotação e 8,19% em carga fracionada, ambos acima do IPCA de 4,64%
Quando um único insumo responde por quase metade do custo e sobe quase 18% em seis meses, não existe eficiência operacional que compense sozinha. O repasse vira condição de sobrevivência.

O cerco eletrônico mudou o jogo do piso

Enquanto a conta aperta de um lado, a fiscalização apertou do outro. A ANTT já aplicou em 2026 mais de R$ 354 milhões em multas por descumprimento do piso mínimo do frete, em mais de 90 mil autuações. O volume supera em 33% todo o ano de 2025, quando foram cerca de 67 mil multas. Em 2018, primeiro ano da política, o total do ano inteiro foi de R$ 69 mil.

A diferença não está na regra, está na capacidade de fazê-la valer:

  • o registro de todas as operações por CIOT passou a ser obrigatório
  • desde 24 de maio, o registro incompatível com o piso é bloqueado automaticamente
  • as multas para contratantes vão de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação
  • suspensão cautelar do RNTRC com mais de três autuações em seis meses, e cancelamento da autorização por até dois anos nos casos mais graves

O frete irregular deixou de ser uma infração punida depois e passou a ser impedida antes de acontecer. A mecânica da tabela está em Piso mínimo do frete da ANTT: a nova tabela de 2026.

O vale-pedágio segue a mesma linha

Criado em 2001, o vale-pedágio obriga o embarcador a antecipar o valor das praças da rota, sem embutir no frete. Desde 2018 são 244,8 mil autos de infração ligados ao mecanismo, e o sistema movimentou R$ 7,14 bilhões em cerca de 21,8 milhões de vales emitidos entre abril de 2025 e março de 2026.

O detalhe que derruba operação bem-intencionada: o protocolo do vale-pedágio precisa constar no MDF-e. Quem paga corretamente mas não registra também é autuado.

A revisão que vem por aí

A ANTT encerrou em agosto uma nova etapa de coleta de dados de custo junto a autônomos, empresas e cooperativas, com informações sobre combustível, pneus, manutenção, mão de obra, alimentação, hospedagem, lavagem e seguros. A Tomada de Subsídios nº 003/2026 recebeu contribuições técnicas entre 17 e 26 de agosto.

Na atualização aprovada em julho de 2026, a agência considerou variação acumulada de 3,54% do IPCA e adotou R$ 6,97 como preço de referência do diesel S10.

O que o gestor de frota deve fazer com isso

Três movimentos concretos.

Tratar compliance como operação. CIOT, MDF-e e vale-pedágio passaram a ser cruzados eletronicamente. Uma divergência documental gera bloqueio, autuação e atraso.

Recalcular o CPK com o diesel atual. A metodologia está em Custo por quilômetro: como calcular o CPK da frota.

Reavaliar imobilizado. Com caminhão mais caro e crédito apertado, a locação entra na conta, tema de Terceirização de frota em 2026 e de Renovação de frota em 2026.

Perguntas frequentes

O que significa o frete operar abaixo do custo?

Significa que o valor cobrado pelo transporte não cobre integralmente as despesas da operação. No primeiro semestre de 2026 a defasagem média foi de 10,5%, ou seja, para cada R$ 100 de custo o mercado remunerou cerca de R$ 89,50.

A defasagem está melhorando?

Sim, gradualmente. Era de 15,3% em 2024, caiu para cerca de 13% em 2025 e chegou a 10,5% no primeiro semestre de 2026. Ainda assim, segue negativa.

Qual o principal fator de pressão nos custos?

O diesel, que subiu 17,63% no primeiro semestre e responde por 44,7% dos custos do transporte rodoviário de cargas. A mão de obra subiu 5% e o custo dos caminhões, 1,32%.

Quanto a ANTT já multou por descumprimento do piso do frete?

Mais de R$ 354 milhões em 2026, em mais de 90 mil autuações, segundo levantamento da própria agência. O volume supera em 33% todo o ano de 2025, quando foram cerca de 67 mil multas.

O que mudou na fiscalização do piso mínimo?

O registro de todas as operações por CIOT passou a ser obrigatório, e desde 24 de maio o registro incompatível com o piso é bloqueado automaticamente. O frete irregular deixa de ser punido depois e passa a ser impedido antes de acontecer.

Quais são as penalidades atuais?

Multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para contratantes que descumprirem o piso, suspensão cautelar do RNTRC em caso de prática reiterada, caracterizada por mais de três autuações em seis meses, e cancelamento da autorização por até dois anos nos casos mais graves.

Como funciona o vale-pedágio?

O contratante do frete precisa antecipar ao transportador o valor de todas as praças de pedágio da rota, sem embutir no frete. O protocolo precisa constar no MDF-e; quem paga corretamente mas não registra também é autuado.

Fontes: NTC&Logística, levantamento do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE) sobre o primeiro semestre de 2026||Transporte Moderno, Frete rodoviário opera 10,5% abaixo do custo, aponta NTC, 28 de agosto de 2026||ANTT, dados de autuações e de emissão de CIOT e vale-pedágio||Portal Uai, Tabela do frete mínimo e vale-pedágio: o que muda nas estradas com o avanço da fiscalização eletrônica, 29 de julho de 2026||Brasil do Trecho, Novo piso do frete entra em estudo após ANTT ouvir caminhoneiros, 1º de setembro de 2026
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