Corredor Minas-Rio destrava o primeiro leilão ferroviário federal em cinco anos, marcado para dezembro
São 733 km em dois lotes, com lance mínimo de R$ 1 e concessão de 99 anos; o modelo testado aqui é o que o governo quer usar para destravar uma carteira de R$ 140 bilhões

Dado central da análise
Em dois lotes vão a leilão em 17 de dezembro de 2026, no primeiro leilão ferroviário federal realizado no Brasil em cinco anos.
O que você precisa saber
- O leilão acontece em 17 de dezembro de 2026, às 14h, na B3, em São Paulo
- São 733 km hoje operados pela Ferrovia Centro-Atlântica, controlada pela VLI, divididos em dois lotes
- O lote 1 tem 625,9 km, de Iguatama, em Minas, a Barra Mansa, no Rio, mais o ramal Varginha a Lavras
- O lote 2 tem 107 km, de Barra Mansa a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro
- O lance mínimo é de R$ 1 por lote; o critério de disputa é o maior valor de outorga
- O prazo da autorização é de 99 anos, com assinatura do contrato até maio de 2027
- É a primeira chamada pública para uma ferrovia já existente que era operada por concessionária, migrando de concessão para autorização
- Os produtos principais do corredor são fertilizantes e café, com conexão ampliada ao porto de Angra dos Reis
A ANTT marcou para 17 de dezembro de 2026, às 14h, na B3, o leilão do Corredor Ferroviário Minas-Rio. É o primeiro leilão ferroviário federal em cinco anos.
São 733 km que hoje pertencem à malha operada pela Ferrovia Centro-Atlântica, controlada pela VLI, divididos em dois lotes:
- Lote 1, 625,9 km: de Iguatama, em Minas Gerais, a Barra Mansa, no Rio de Janeiro, mais o ramal entre Varginha e Lavras
- Lote 2, 107 km: de Barra Mansa a Angra dos Reis
O lance mínimo é de R$ 1 por lote. Antes de parecer estranho, vale entender o desenho: o critério de disputa é o maior valor de outorga, então o R$ 1 é só o piso formal. Quem paga mais leva. O prazo é de 99 anos, com contrato assinado até maio de 2027 e plano de recapacitação a ser apresentado em até dois anos depois da assunção.
O que está sendo testado aqui
Este leilão não é apenas sobre 733 km de trilho.
Ele é a primeira chamada pública para uma ferrovia já existente que era operada por concessionária, migrando do regime de concessão para o de autorização. Nenhum outro trecho passou por isso antes.
Se o modelo funcionar, o governo tem uma carteira estimada em R$ 140 bilhões de projetos ferroviários federais esperando para ser destravada até 2027. Se não funcionar, a carteira continua onde está.
Três números circulam juntos e não podem ser somados. R$ 38 bilhões em trinta anos é o investimento projetado para Minas Gerais. R$ 4,2 bilhões é a indenização estimada à União pelos trechos devolvidos. R$ 140 bilhões é a carteira federal inteira. São medidas diferentes de coisas diferentes.
A carga prevista em toneladas para o corredor não foi divulgada em nenhuma das fontes públicas consultadas.
O que muda entre Minas e Rio
Os produtos principais do trecho são fertilizantes e café. O Sul de Minas é a maior região cafeeira do país, e o corredor amplia a conexão com os portos do Sudeste, em especial Angra dos Reis.
O diagnóstico que aparece nas discussões do projeto é simples de entender por quem dirige na região: as rodovias já não comportam os volumes atuais.
Entre os interessados mapeados estão operadores ferroviários, mineradoras, fundos de investimento em infraestrutura e parceiros com experiência operacional.
A conta do trilho contra o asfalto
Aqui é preciso cuidado com a fonte. Os números de eficiência do modal vêm da ANTF, a associação das concessionárias ferroviárias, que é parte interessada. Eles são úteis, mas devem ser lidos como argumento do setor, não como dado neutro.
Segundo a entidade, na base de 2023:
- a ferrovia consome 3,33 litros de diesel por mil TKU, contra estimativa de 21 a 44 litros na rodovia
- uma composição de 120 vagões equivale a 360 caminhões na estrada
- os acidentes ferroviários são oito vezes menores que os rodoviários
- 60% da carga que chega aos portos vem por ferrovia
O peso de cada modal na matriz brasileira e o que isso significa em custo estão em A matriz de transporte do Brasil. O desempenho recente das ferrovias está em Ferrovias: carga recorde e investimento, e o outro lado da mesma equação logística está em Portos do Brasil.
Por que isso é assunto de quem tem frota
Porque a discussão não termina no trilho.
Cada tonelada que migra para a ferrovia é uma tonelada que deixa de disputar espaço na rodovia. Para o transportador rodoviário, isso significa menos concorrência por carga de longa distância e mais espaço na distribuição regional, que é onde o caminhão ganha do trem.
E para quem paga o frete, ferrovia funcionando pressiona o preço do transporte para baixo, num momento em que o custo do transportador já corre acima do reajuste do frete e o diesel voltou a subir.
O leilão é em dezembro. O efeito no custo logístico leva anos. Mas a decisão sobre o modelo é agora.
Perguntas frequentes
Quando é o leilão do Corredor Minas-Rio?
Em 17 de dezembro de 2026, às 14h, na B3, em São Paulo. O edital foi aprovado pela ANTT em 27 de agosto de 2026.
Quantos quilômetros estão em disputa?
733 km no total, divididos em dois lotes. O lote 1 tem 625,9 km, de Iguatama, em Minas Gerais, a Barra Mansa, no Rio de Janeiro, incluindo o ramal entre Varginha e Lavras. O lote 2 tem 107 km, de Barra Mansa a Angra dos Reis.
Quem opera esse trecho hoje?
A Ferrovia Centro-Atlântica, a FCA, controlada pela VLI. Os trechos serão transferidos ao vencedor do leilão.
Qual é o lance mínimo?
R$ 1 por lote. O critério de disputa não é o preço mínimo e sim o maior valor de outorga oferecido. Com até três participantes, todos avançam para a fase verbal; acima disso, aplica-se corte percentual.
Qual o prazo da concessão?
A autorização é de 99 anos. O contrato deve ser assinado até maio de 2027, e o vencedor tem até dois anos após assumir para apresentar o plano de recapacitação da malha.
Por que esse leilão é diferente dos anteriores?
Porque migra uma ferrovia já existente do regime de concessão para o de autorização. É a primeira chamada pública desse tipo no país, o que faz do corredor um teste de modelo.
O que se transporta nesse corredor?
Principalmente fertilizantes e café. O Sul de Minas é a maior região cafeeira do Brasil, e a ligação amplia o acesso aos portos do Sudeste, em especial Angra dos Reis.
Quanto será investido?
Os números que circulam medem coisas diferentes e não devem ser somados. Fala-se em R$ 38 bilhões em trinta anos como investimento projetado para Minas Gerais, e em R$ 4,2 bilhões de indenização estimada à União pelos trechos devolvidos. A carga prevista em toneladas não foi divulgada.
Por que esse leilão importa para quem paga frete?
Porque cada tonelada que sai da rodovia e entra no trilho muda a estrutura de custo logístico da região. Segundo a ANTF, associação das concessionárias ferroviárias, uma composição de 120 vagões equivale a 360 caminhões na estrada.
Que outros projetos ferroviários estão na fila?
O governo fala em uma carteira de cerca de R$ 140 bilhões em projetos ferroviários federais a destravar até 2027. A ANTT também aprovou nova modelagem da Ferrogrão, com R$ 33,3 bilhões e leilão previsto para 2027.
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