Comparativo de elétricos 2026: treze dos quatorze modelos nunca foram testados pelo Latin NCAP
O segmento parte de R$ 118.990 e vai a R$ 339.990, a maior autonomia confirmada no ciclo Inmetro é de 413 km e o Dolphin Mini sozinho faz 30% das vendas de elétricos

Dado central da análise
O que você precisa saber
- Faixa de preço do segmento: de R$ 118.990 a R$ 339.990
- Elétrico mais barato: BYD Dolphin Mini GL, R$ 118.990
- Maior autonomia confirmada no ciclo Inmetro: Geely EX5 Pro, 413 km
- Recarga mais rápida: BYD Yuan Plus, 205 kW e 20% a 80% em cerca de 20 minutos
- Maior eficiência: Geely EX2, 7,3 km/kWh, cálculo da redação sobre dados oficiais
- Mais vendido: BYD Dolphin Mini, 8.299 unidades em agosto e cerca de 30% do segmento
- Acumulado do líder: 51.225 unidades até agosto, alta de 162,5% sobre 2025
- Único com nota do Latin NCAP: BYD Dolphin Plus, cinco estrelas e 93% de proteção adulta
- Maior número de airbags: BYD Seal, com nove
- Maior garantia: MG, sete anos ou 150 mil km no veículo e oito anos ou 160 mil km na bateria
# Comparativo de elétricos 2026: treze dos quatorze modelos nunca foram testados pelo Latin NCAP
O Brasil comprou um milhão de carros eletrificados sem saber como a maioria deles se comporta numa batida.
Resposta rápida
O segmento de carros 100% elétricos no Brasil em 2026 parte de R$ 118.990, no BYD Dolphin Mini GL, e chega a R$ 339.990, no BYD Sealion 7. A maior autonomia confirmada no ciclo Inmetro é de 413 km, no Geely EX5 Pro. O BYD Dolphin Mini sozinho responde por cerca de 30% das vendas de elétricos do país. E, dos quatorze modelos deste comparativo, apenas um tem resultado publicado pelo Latin NCAP.
O buraco de informação que ninguém comenta
Comece por aqui, porque é o dado mais importante da matéria e o menos divulgado.
Entre os quatorze elétricos comparados, o único com resultado no Latin NCAP é o BYD Dolphin Plus, com cinco estrelas em dezembro de 2024, 93% de proteção adulta e 93% infantil. Foi o primeiro elétrico e o primeiro chinês a atingir cinco estrelas na entidade.
Atenção ao detalhe que muda tudo: esse resultado é do Dolphin Plus, e não do Dolphin Mini, que é o modelo mais vendido do país no varejo. O Dolphin Mini não foi testado.
Todos os outros treze modelos, incluindo os líderes de venda Geely EX2, GAC Aion UT e GWM Ora 5, não têm avaliação publicada. O Geely EX5 tem cinco estrelas no Euro NCAP, de setembro de 2026, mas é outro protocolo, com exigências diferentes, e não é comparável com o latino-americano.
Na prática, o consumidor brasileiro está comprando elétrico com informação de segurança independente indisponível para quase toda a oferta.
Os elétricos de entrada, até R$ 160 mil
BYD Dolphin Mini, R$ 118.990 na GL e R$ 119.990 na GS, tabela de setembro. Bateria Blade LFP de 30,08 kWh na GL e 38,88 kWh na GS, com 224 km e 280 km de autonomia no ciclo Inmetro. Recarga em corrente contínua de 30 kW e 40 kW, com 30% a 80% em cerca de 30 minutos. Seis airbags e câmera 360. Garantia de seis anos ou 200 mil km no veículo e oito anos na bateria. A diferença de R$ 1.000 entre as versões compra 56 km a mais de autonomia.
Geely EX2, R$ 123.800 na Pro e R$ 136.800 na Max. Bateria LFP de 39,4 kWh e 289 km de autonomia Inmetro. Tração traseira, 116 cv. Recarga de até 70 kW, com 30% a 80% em 21 minutos, tempo melhor que o de vários carros bem mais caros. Seis airbags e multimídia de 14,6 polegadas; o pacote de assistências nível 2 só vem na Max.
MG4 Urban, de R$ 134.990 na Comfort a R$ 154.990 na Luxury Long Range, campanha de setembro. Baterias de 43 kWh e 54 kWh, com 299 km e 358 km de autonomia Inmetro. Garantia de sete anos ou 150 mil km no veículo e oito anos ou 160 mil km na bateria, a mais longa do comparativo.
GAC Aion UT, R$ 139.990 na Premium e R$ 159.990 na Elite. Baterias LFP de 44,12 kWh e 60 kWh, com 253 km e 310 km de autonomia. Seis airbags nas duas versões; a Elite traz teto solar panorâmico, câmera 360 e pacote de assistências nível 2 com onze funções.
Chevrolet Spark EUV, R$ 146.990 de tabela e R$ 144.990 em campanha. Bateria de 42 kWh e 258 km de autonomia. Traz seis airbags, piloto adaptativo, assistente de faixa, frenagem autônoma e câmera 360 de série. Ponto de atenção: a garantia do veículo é de três anos ou 100 mil km, a mais curta do comparativo.
BYD Dolphin, R$ 149.800 na GS, com a SE a R$ 159.990. Bateria Blade LFP de 42,7 kWh e 291 km de autonomia, com eficiência de 6,8 km/kWh. Recarga limitada a 60 kW, a mais lenta do grupo.
GWM Ora 5, R$ 159.000 em versão única no lançamento de junho. Bateria LFP de 58,3 kWh e 349 km de autonomia Inmetro. Recarga de 120 kW, com 30% a 80% em cerca de 20 minutos. Seis airbags, assistências nível 2 e câmera 540.
De R$ 160 mil a R$ 240 mil
GWM Ora 03 BEV58, R$ 169.000 com bônus de R$ 20.000 na nota fiscal, o que leva o preço à vista a R$ 149.000. Bateria de 58 kWh e 315 km de autonomia. Tem sete airbags, o maior número entre os modelos acessíveis, e frenagem autônoma com reconhecimento de pedestres, motos e bicicletas. Porta-malas de apenas 228 litros.
GAC Aion Y, a partir de R$ 175.990, com a Elite a R$ 187.990. Bateria de 63,2 kWh e 318 km de autonomia. Entre-eixos de 2.750 mm.
Geely EX5, com 413 km de autonomia Inmetro na versão Pro, a maior confirmada deste comparativo. Bateria LFP de 60,2 kWh, 218 cv, recarga de até 100 kW com 30% a 80% em cerca de 20 minutos, treze sistemas de assistência e porta-malas que chega a 1.877 litros com os bancos rebatidos.
BYD Yuan Plus, R$ 235.990 sugerido. Bateria Blade LFP de 60,5 kWh e 294 km de autonomia na versão de 204 cv. Recarga de 205 kW, com 20% a 80% em cerca de 20 minutos, a mais rápida do comparativo.
Volvo EX30, de R$ 239.950 na Plus Single Motor a R$ 315.000 na Cross Country. Baterias de 51 kWh e 69 kWh, com 250 km e 316 km de autonomia. Números baixos para a faixa de preço.
Acima de R$ 240 mil
BYD Seal, R$ 269.990 em versão única. Bateria Blade LFP de 82,56 kWh com tecnologia de integração à estrutura, 531 cv, tração integral e 0 a 100 km/h em 3,8 segundos. Autonomia de 372 km. Nove airbags, o maior número do comparativo.
BYD Sealion 7, R$ 339.990 em versão única. Bateria de 82,5 kWh, 531 cv, tração integral, 360 km de autonomia e recarga de 150 kW.
A conta de eficiência que o folheto não faz
Autonomia sozinha não diz quase nada, porque depende do tamanho da bateria. O que interessa é quantos quilômetros cada kWh entrega.
Dividindo a autonomia Inmetro pela capacidade da bateria, o ranking fica assim: Geely EX2 com 7,3 km/kWh, BYD Dolphin Mini GS com 7,2, MG4 Urban de 43 kWh com 6,95, Geely EX5 Pro com 6,9 e BYD Dolphin com 6,8. Na outra ponta, o BYD Seal faz 4,5 e o Sealion 7 faz 4,4.
O cálculo é da redação sobre os números oficiais. Ele mostra uma coisa que o preço esconde: os elétricos mais baratos do mercado são também os mais eficientes, porque são mais leves.
A escolha certa, por perfil de comprador
Para quem quer o menor preço. BYD Dolphin Mini GS, a R$ 119.990. A versão GL custa R$ 1.000 a menos e entrega 56 km a menos de autonomia; essa diferença praticamente obriga a subir de versão.
Para quem quer a maior autonomia. Geely EX5 Pro, com 413 km no ciclo Inmetro, seguido do BYD Sealion 7, com 360, e do MG4 Urban Long Range, com 358.
Para quem vai viajar e precisa recarregar rápido. BYD Yuan Plus, com 205 kW e 20% a 80% em cerca de 20 minutos. Entre os de entrada, o Geely EX2 é o destaque, com 70 kW e 21 minutos de 30% a 80%.
Para quem quer a maior eficiência. Geely EX2, com 7,3 km/kWh, e BYD Dolphin Mini GS, com 7,2. São os dois que rodam mais por cada quilowatt-hora pago na conta de luz.
Para quem prioriza segurança comprovada. BYD Dolphin Plus, o único elétrico vendido no Brasil com nota do Latin NCAP, com cinco estrelas e 93% de proteção adulta. Se o critério for conteúdo de série, o BYD Seal lidera com nove airbags e o GWM Ora 03 é o mais generoso entre os acessíveis, com sete.
Para quem vai ficar muitos anos com o carro. MG, com sete anos ou 150 mil km no veículo e oito anos ou 160 mil km na bateria, e GAC, com oito anos ou 160 mil km no veículo. Na outra ponta, a Chevrolet oferece três anos ou 100 mil km no Spark EUV.
Quem deve evitar por ora. Elétricos cuja autonomia não acompanha o preço. O Volvo EX30 Plus custa R$ 239.950 e entrega 250 km no ciclo Inmetro, menos que o Geely EX2, que custa R$ 116 mil a menos.
O que saiu de linha
Saíram do mercado brasileiro o Renault Kwid E-Tech, encerrado em 2025 diante da chegada do Geely EX2, e o CAOA Chery iCar, derrubado pela queda de preço do Dolphin no segmento de entrada. Antes deles já haviam saído Fiat 500e, Peugeot e-208 e e-2008, Nissan Leaf, Chevrolet Bolt, Renault Zoe, Jaguar I-PACE e BMW i3.
Onde este comparativo se conecta
O tamanho desse mercado aparece na análise sobre o Brasil passar de 1 milhão de carros eletrificados, em que um em cada cinco carros novos já é eletrificado. A infraestrutura que sustenta a promessa de economia é tratada na matéria sobre os pontos de recarga no país.
A régua tributária de 2027 pesa justamente sobre eficiência e etapas fabris no Brasil, como detalha a análise do prazo do Imposto Seletivo. E a origem da maior parte dessa oferta é discutida na análise da onda chinesa.
Quem ainda está entre elétrico e combustão encontra o mesmo método no comparativo de híbridos, no comparativo de hatches e no comparativo de SUVs.
Perguntas frequentes
Qual é o carro elétrico mais barato do Brasil em 2026?
O BYD Dolphin Mini GL, a R$ 118.990 na tabela de setembro. A versão GS custa R$ 119.990 e entrega 56 km a mais de autonomia, diferença que compensa o valor.
Qual elétrico tem a maior autonomia no Brasil?
O Geely EX5 Pro, com 413 km no ciclo Inmetro. Em seguida vêm o BYD Sealion 7, com 360 km, o MG4 Urban Long Range, com 358, e o GWM Ora 5, com 349.
Qual elétrico recarrega mais rápido?
O BYD Yuan Plus, com 205 kW em corrente contínua e 20% a 80% em cerca de 20 minutos. Entre os modelos de entrada, o Geely EX2 se destaca, com 70 kW e 21 minutos de 30% a 80%.
Os carros elétricos vendidos no Brasil são seguros?
A maior parte não tem avaliação independente publicada. Dos quatorze modelos comparados, apenas o BYD Dolphin Plus tem resultado no Latin NCAP, com cinco estrelas e 93% de proteção adulta. Os outros treze não foram testados pela entidade.
Qual é o elétrico mais vendido do Brasil?
O BYD Dolphin Mini, com 8.299 unidades em agosto de 2026, cerca de 30% de todo o segmento elétrico, e 51.225 no acumulado até agosto, alta de 162,5% sobre 2025.
Qual elétrico é o mais eficiente?
Pelo cálculo de autonomia dividida por capacidade de bateria, o Geely EX2, com 7,3 km/kWh, seguido do BYD Dolphin Mini GS, com 7,2. Os elétricos mais baratos tendem a ser os mais eficientes porque são mais leves.
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