Move Brasil: teto de R$ 200 mil põe 88% dos carros novos ao alcance de taxistas e motoristas de aplicativo
Nova lista do governo tem mais de 200 combinações de modelo e motorização, de 16 marcas; o prazo foi a 84 meses, mas só 11% dos R$ 30 bilhões do programa tinham chegado aos motoristas

O que você precisa saber
- O teto do Move Brasil subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil por veículo
- A nova lista tem mais de 200 combinações de modelo, versão e motorização, de 16 marcas
- Com o novo teto, o programa alcança cerca de 88% dos emplacamentos, contra 63% antes
- O prazo chega a 84 meses, com até seis meses de carência
- Os juros são de 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres
- Motorista de aplicativo precisa de cadastro ativo há seis meses na mesma plataforma e 100 corridas
- A elegibilidade sai em até 10 dias úteis, mas o banco ainda faz a análise de crédito
- Só R$ 3,44 bilhões dos R$ 30 bilhões tinham sido liberados, para 33,4 mil motoristas
O governo federal ampliou o Move Brasil, a linha de crédito para taxistas e motoristas de aplicativo trocarem de carro. O preço máximo do veículo financiado passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e a lista de modelos aceitos, atualizada no fim de setembro de 2026, ganhou mais de 200 combinações de modelo, versão, carroceria e motorização, de 16 marcas.
Pelas contas do próprio programa, feitas com os emplacamentos de 2025 da Fenabrave, o novo teto põe ao alcance do motorista cerca de 88% do mercado de carros novos. Com o limite anterior, a fatia era de uns 63%.
O que mudou nas regras
A Lei 15.503, sancionada em 14 de setembro, transformou o Move Brasil em política permanente e mexeu nas condições do financiamento.
| Item | Regra atual | | --- | --- | | Valor máximo do carro | R$ 200 mil | | Prazo | Até 84 meses (era 72) | | Carência | Até 6 meses para o principal | | Juros para homens | 0,99% ao mês | | Juros para mulheres | 0,91% ao mês | | Garantia pública | Até 80% por operação | | Motorização | Flex, etanol, híbrido ou elétrico |
A lei também estende o benefício a condutores do transporte escolar e a algumas modalidades de transporte leve de carga.
Quais carros entraram
A atualização incorporou elétricos, híbridos e flex. Entre os nomes novos estão o BYD King, o Toyota Yaris Cross nas versões híbridas flex, o Peugeot 2008 GT Hybrid, o VW T-Cross Extreme e os Leapmotor C10 e B10. A lista também traz BYD Dolphin e Dolphin Mini, Chevrolet Spark EUV e Captiva, Fiat Strada, Toro, Pulse e Fastback, Jeep Compass, Renegade e Avenger, Renault Boreal, Hyundai Kona, Toyota Corolla e VW Saveiro.
A presença de picapes como Strada, Toro e Montana amplia o uso para quem faz entrega e frete leve. E o limite de R$ 200 mil abre espaço para os híbridos e elétricos que vinham ficando de fora, justamente os modelos que mais aparecem nas listas de mais vendidos de setembro.
Quem pode pedir
Segundo o MDIC, podem participar:
- taxistas com licença e registro ativos no órgão de trânsito e regularidade fiscal, além de motoristas cooperados;
- motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos seis meses na mesma plataforma e ao menos 100 corridas nesse período.
O cadastro é feito no portal do programa, e a resposta sobre a elegibilidade sai em até 10 dias úteis. O ministério faz um alerta: ser elegível não garante o financiamento. O banco ainda analisa o crédito de cada motorista.
O crédito que não saiu
O problema do Move Brasil até aqui não foi a regra, e sim o dinheiro chegar na ponta. Dos R$ 30 bilhões reservados, cerca de R$ 3,44 bilhões tinham sido liberados, algo como 11% do total, para 33,4 mil motoristas: perto de 27 mil de aplicativo e 6 mil taxistas. Só 5% eram mulheres, apesar do juro menor. Mais de 600 mil profissionais tinham se cadastrado até junho.
O governo atribui a lentidão ao menor apetite dos bancos privados; Banco do Brasil e Caixa concentraram as operações. A garantia pública de até 80% por contrato, prevista na lei, é a aposta para destravar a concessão.
O que isso muda para o motorista
A conta do carro de trabalho mudou em pouco tempo. O financiamento de veículos teve o melhor agosto em 15 anos, mas com juros de mercado bem acima dos 0,99% do programa. Para quem roda o dia todo, um prazo de 84 meses reduz a parcela, e um híbrido ou elétrico corta o gasto com combustível, que é o maior custo variável da atividade.
O Move Brasil também se cruza com a discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo e com o crescimento da moto por aplicativo, que disputa o mesmo passageiro nas cidades. Motociclistas não entram nesta linha, e só uma parte deles tem cobertura da previdência.
Perguntas frequentes
O que é o Move Brasil?
É o programa federal de crédito com juros reduzidos para taxistas e motoristas de aplicativo comprarem carro novo flex, a etanol, híbrido ou elétrico. A Lei 15.503, sancionada em 14 de setembro de 2026, tornou o programa permanente.
Qual o valor máximo do carro no Move Brasil?
R$ 200 mil. O limite anterior era de R$ 150 mil.
Quais carros entram no Move Brasil?
A lista divulgada em setembro de 2026 tem mais de 200 combinações de 16 marcas, entre elas BYD, Chevrolet, Fiat, Toyota, Volkswagen, Renault, Hyundai, Honda, Jeep, GWM, Geely e Leapmotor. Entraram modelos como BYD King, Toyota Yaris Cross híbrido flex, Peugeot 2008 GT Hybrid, VW T-Cross Extreme e Leapmotor C10 e B10.
Quais são os juros do Move Brasil?
0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres, com prazo de até 84 meses e carência de até seis meses para começar a pagar o principal.
Quem pode pedir o Move Brasil?
Taxistas com licença e registro ativos e regularidade fiscal, motoristas de cooperativas e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos seis meses na mesma plataforma e 100 corridas no período.
Ser aprovado no Move Brasil garante o financiamento?
Não. O MDIC informa que a elegibilidade não garante o crédito; a liberação depende da análise do banco.
Quanto do crédito do Move Brasil já foi usado?
Cerca de R$ 3,44 bilhões dos R$ 30 bilhões previstos, para 33,4 mil motoristas, segundo os dados mais recentes divulgados. A maior parte das operações passou por Banco do Brasil e Caixa.
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