Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota
Levantamento da TruckPag em 4.940 postos de rodovia mostra o S-10 parado perto de R$ 6,94 na primeira quinzena; o índice da Edenred Ticket Log aponta diesel comum 6,67% acima de outubro de 2025, com o Sul na maior alta

Dado central da análise
De alta no diesel S-10 em 2026: de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro, nos postos de rodovia monitorados pela TruckPag.
O que você precisa saber
- O diesel S-10 ficou praticamente parado na primeira quinzena de outubro, entre R$ 6,93 e R$ 6,96 nos postos de rodovia monitorados pela TruckPag
- No ano, a alta é de 20,1%: de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,94
- O pico de 2026 foi em abril, com média mensal de R$ 7,13 e máxima diária de R$ 7,43 em 5 de abril
- Pelo IPTL, da Edenred Ticket Log, o diesel comum está a R$ 7,20 e o S-10 a R$ 7,46, altas de 6,67% e 5,07% sobre outubro de 2025
- O Sul teve a maior alta regional do diesel comum, 11,70%, e o Paraná a maior alta entre os estados, 12,66%
- Os dois levantamentos usam bases diferentes; o da TruckPag concentra postos de rodovia, onde abastece o caminhão, e por isso mostra valores menores
O preço do diesel parou de subir em outubro, mas a trégua chegou depois de um ano de alta. Nos 4.940 postos monitorados pela TruckPag, cerca de 90% deles em rodovias, o diesel S-10 teve média de R$ 6,94 por litro entre 1 e 15 de outubro, com variação diária mínima, de R$ 6,93 a R$ 6,96. O número é 20,1% maior que o de janeiro, quando o litro custava R$ 5,78.
O levantamento foi divulgado em 19 de outubro. Para o presidente da TruckPag, Kassio Seefeld, a estabilidade da quinzena não representa alívio para as transportadoras, porque o combustível segue cerca de 20% acima do início do ano e as margens já estavam apertadas.
O caminho do preço em 2026
| Período | Diesel S-10 (TruckPag) | | --- | --- | | Janeiro de 2026 | R$ 5,78 | | Abril de 2026, média do mês (pico) | R$ 7,13 | | 5 de abril de 2026, máxima diária | R$ 7,43 | | Setembro de 2026 | R$ 6,76 | | 1 a 15 de outubro de 2026 | R$ 6,94 |
A alta começou em março, com a guerra no Oriente Médio e o reajuste nas refinarias. Depois de quatro meses de queda, de maio a agosto, o preço voltou a subir em setembro, movimento que o Eixo Motor acompanhou na matéria sobre o diesel de setembro e a subvenção do governo. Outubro abriu 2,7% acima da média de setembro e ficou parado desde então.
Entre os estados, o Piauí acumula a maior alta desde o fim de fevereiro, 27,6%. As menores, entre 12,7% e 15%, estão em Amazonas, Rondônia, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
O que mostra o índice da Edenred Ticket Log
O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que cobre cerca de 21 mil postos, mede a primeira quinzena de outubro contra o mesmo período de 2025. Nele, o diesel comum está a R$ 7,20, alta de 6,67%, e o S-10 a R$ 7,46, alta de 5,07%. A diferença para os números da TruckPag vem da base: o IPTL inclui postos urbanos e de todas as regiões, enquanto a TruckPag olha o posto de estrada, onde o caminhão abastece. A ANP, na semana encerrada em 2 de outubro, apontou o S-10 a R$ 7,35.
| Região | Diesel comum | Alta em 12 meses | Diesel S-10 | | --- | --- | --- | --- | | Sul | R$ 6,97 | 11,70% | R$ 7,17 | | Centro-Oeste | R$ 7,21 | 6,97% | R$ 7,62 | | Norte | R$ 7,75 | não informado | R$ 7,80 |
O Sul teve a maior alta regional do diesel comum, e o Paraná a maior alta entre os estados, 12,66%. O Norte tem os preços mais altos do país; Roraima lidera no diesel comum, a R$ 8,19, e o Acre no S-10, a R$ 8,30. O diesel comum mais barato está em Minas Gerais, a R$ 6,91.
O peso do diesel importado
O importado respondeu por 23,14% das vendas de diesel A em agosto. Para segurar o preço desse volume, o governo elevou a subvenção paga aos importadores em R$ 1,40 por litro, para R$ 3,52 por litro. O petróleo não ajuda: o Brent subiu 2,9% na primeira quinzena de outubro, de US$ 102,52 para US$ 105,45 o barril. A mistura também pesa na operação; transportadoras paulistas relataram filtro entupido depois do aumento do biodiesel.
O que muda para quem gere frota
O diesel é a maior despesa variável do caminhão, e a alta do ano já foi incorporada ao piso mínimo do frete da ANTT, calculado com o diesel a R$ 7,33. Quem contratou frete no começo do ano sem cláusula de reajuste pelo combustível está pagando a diferença. O estudo da NTC sobre a defasagem do frete já mostrava esse descompasso antes da alta de setembro.
Quatro providências fazem diferença agora:
1. Refazer o custo por quilômetro com o preço pago na rota, não com a média nacional. O passo a passo está no guia de como calcular o CPK da frota. 2. Rever contratos para incluir gatilho de reajuste quando o diesel variar acima de um percentual combinado. 3. Cortar consumo parado: a telemetria com inteligência artificial da Bosch mostrou quanto a marcha lenta desperdiça. 4. Negociar por volume com redes de postos da rota, já que a variação entre estados passa de R$ 1 por litro.
O que observar
A estabilidade depende de dois fatores fora do controle das frotas: o preço do petróleo, que voltou a subir em outubro, e a continuidade da subvenção ao diesel importado. Qualquer mudança em um deles chega à bomba em poucas semanas. Para as locadoras e gestores, o tema deve aparecer na Expo Abla 2026, em 28 e 29 de outubro, em São Paulo.
Perguntas frequentes
Quanto está o diesel em outubro de 2026?
Depende do levantamento. Nos 4.940 postos monitorados pela TruckPag, cerca de 90% em rodovias, o S-10 teve média de R$ 6,94 por litro entre 1 e 15 de outubro. No Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que cobre cerca de 21 mil postos, o diesel comum está a R$ 7,20 e o S-10 a R$ 7,46 na média nacional.
Quanto o diesel subiu em 2026?
Pelo levantamento da TruckPag, o S-10 subiu 20,1% no ano, de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro. A alta começou em março, com a guerra no Oriente Médio, e o pico foi em abril.
O diesel vai baixar?
Não há sinal de queda. Em outubro o preço ficou estável, mas o petróleo Brent subiu 2,9% na primeira quinzena, de US$ 102,52 para US$ 105,45 o barril. Parte do mercado depende de diesel importado, que hoje recebe subsídio do governo.
Por que os levantamentos de preço do diesel dão números diferentes?
Cada um usa uma base de postos e um método. A TruckPag mede o preço pago por transportadoras em postos de estrada; o IPTL usa transações com cartão em cerca de 21 mil postos; a ANP faz pesquisa semanal própria. Para a frota, o melhor parâmetro é o preço pago nos postos da própria rota.
Onde o diesel está mais caro?
Pelo IPTL da primeira quinzena de outubro, o diesel comum mais caro está em Roraima, a R$ 8,19, e o mais barato em Minas Gerais, a R$ 6,91. No S-10, o Acre tem o maior preço, R$ 8,30, e o Rio Grande do Sul o menor, R$ 6,95.
O que a frota pode fazer com o diesel 20% mais caro?
Recalcular o custo por quilômetro com o preço atual, rever contratos de frete com cláusula de reajuste pelo combustível, cortar marcha lenta com telemetria e negociar preço por volume nos postos de rota. O piso mínimo do frete da ANTT também foi atualizado com o diesel mais caro.
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