EIXO MOTOR
FrotasAnálise

Custo por quilômetro: como calcular o CPK da frota sem enganar a própria planilha

O combustível responde por 30% a 40% do custo operacional, mas é a depreciação esquecida que costuma quebrar a conta da gestão de frota

Custo por quilômetro: como calcular o CPK da frota sem enganar a própria planilha
Imagem: Pexels

Dado central da análise

30% a 40%

O que você precisa saber

  • O CPK é a soma dos custos fixos e variáveis dividida pela quilometragem rodada no período
  • O combustível responde por 30% a 40% do custo operacional no transporte rodoviário de cargas
  • Depreciação e custo de capital são os itens mais frequentemente esquecidos na conta
  • O pedágio nas novas concessões acrescenta de R$ 0,04 a R$ 0,08 por quilômetro por eixo
  • CPK calculado sem depreciação subestima o custo real e adia a decisão de renovação

O custo por quilômetro, o CPK, é o indicador que sustenta qualquer decisão séria de frota: renovar ou manter, comprar ou alugar, aceitar ou recusar um frete.

A fórmula é simples. Custo total do período dividido pela quilometragem rodada no mesmo período. A dificuldade está em quais custos entram na conta.

O que precisa estar dentro

Custos variáveis, que só existem quando o veículo roda:

  • Combustível
  • Pneus
  • Manutenção corretiva e preventiva
  • Pedágio
  • Lubrificantes e fluidos

Custos fixos, que existem mesmo com o veículo parado:

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça
  • Depreciação
  • Custo de capital, ou seja, o que o dinheiro investido no veículo renderia em outra aplicação
  • Seguro
  • Licenciamento e IPVA
  • Salário e encargos do motorista
  • Rastreamento e telemetria
  • Estrutura de garagem e administração

O item que quase todo mundo esquece

A depreciação. Ela não aparece no extrato bancário, não gera boleto e não interrompe a operação quando é ignorada. Por isso some das planilhas.

O efeito é sempre o mesmo: o CPK fica artificialmente baixo, o veículo antigo parece barato de manter e a renovação é adiada. A conta reaparece na revenda, quando o valor recebido é muito menor do que o gestor supunha.

Não é coincidência que as locadoras trabalhem com idade média de frota de 16,4 meses. Quem vive de comprar e revender veículo trata depreciação como o custo central, não como detalhe contábil.

Os pesos reais

No transporte rodoviário de cargas, o combustível responde por 30% a 40% do custo operacional. É o maior item isolado, e por isso qualquer variação no diesel se propaga imediatamente para o CPK.

O pedágio entra a seguir, e vai pesar mais: nas novas concessões rodoviárias, o custo adicional estimado é de R$ 0,04 a R$ 0,08 por quilômetro por eixo. Em uma carreta de seis eixos, isso vira número relevante rapidamente.

Como usar o CPK na prática

Calcule por veículo, não só pela média da frota. A média esconde o veículo que está destruindo o resultado.

Compare o CPK de cada unidade com o custo de substituí-la. Quando o CPK do veículo antigo, já incluindo manutenção crescente e paradas, ultrapassa o CPK do veículo novo com depreciação e parcela, a hora de trocar já passou.

E confronte o CPK com a receita por quilômetro. No transporte de cargas, essa referência é a tabela de piso mínimo de frete da ANTT. Frete abaixo do CPK não é margem apertada; é prejuízo com atraso.

Esta é uma análise da redação do Eixo Motor. Cada operação tem estrutura de custo própria, e os pesos citados são referências de mercado, não valores fixos.

Perguntas frequentes

O que é CPK na gestão de frota?

CPK é o custo por quilômetro rodado. Soma-se todo o custo do período, fixo e variável, e divide-se pela quilometragem percorrida pela frota nesse mesmo período.

Como calcular o custo por quilômetro?

CPK igual a custo total dividido por quilômetros rodados. No custo total entram combustível, manutenção, pneus, pedágio, seguro, licenciamento, salários, depreciação e custo de capital.

Qual o maior custo de uma frota?

No transporte rodoviário de cargas, o combustível, com 30% a 40% do custo operacional. Em frotas leves urbanas, a depreciação costuma disputar essa posição.

Por que a depreciação precisa entrar no CPK?

Porque o veículo perde valor mesmo parado. Deixar a depreciação de fora faz o CPK parecer menor, atrasa a decisão de renovação e transfere o prejuízo para o momento da revenda.

Fontes: Sindipeças e Abipeças, composição de custos operacionais • ANTT, coeficientes de piso mínimo de frete • ABLA, dados de idade e investimento de frota
cpkcusto por quilômetrogestão de frotatcodepreciação
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

Locadoras compram 35,7% mais veículos até setembro e frota deve passar de 1,8 milhão em 2026, diz Abla
Frotas

Locadoras compram 35,7% mais veículos até setembro e frota deve passar de 1,8 milhão em 2026, diz Abla

As locadoras emplacaram cerca de 570 mil veículos de janeiro a setembro de 2026, alta de 35,7% sobre os 420 mil do mesmo período de 2025, segundo a Abla. A projeção é fechar o ano com mais de 700 mil compras e frota acima de 1,8 milhão de unidades, recorde. O setor deve responder por 25% a 30% dos emplacamentos do país e já registrou 30,8 mil eletrificados.

29 de out de 20262 min de leitura
Caminhão híbrido na mineração: Unidas Pesados testa modelo chinês que gasta até 32% menos diesel
Frotas

Caminhão híbrido na mineração: Unidas Pesados testa modelo chinês que gasta até 32% menos diesel

A Unidas Pesados, locadora de caminhões e máquinas, está avaliando caminhões diesel-híbridos de um fabricante chinês para operações de mineração e negocia um primeiro lote de 10 unidades, segundo reportagem da AutoData de 22 de outubro de 2026. O sistema combina motor a diesel com recuperação de energia elétrica e reduz o consumo de 28% a 32% nesse tipo de operação. A compra ainda não foi fechada, e o modelo e o fabricante não foram divulgados. A frota da empresa tem cerca de 6 mil caminhões, 98% deles a diesel.

22 de out de 20263 min de leitura
Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota
FrotasAnálise

Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota

O preço do diesel S-10 ficou estável na primeira quinzena de outubro de 2026, em torno de R$ 6,94 por litro nos postos de rodovia, segundo a TruckPag, mas acumula alta de 20,1% desde janeiro, quando custava R$ 5,78. O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra o diesel comum a R$ 7,20 e o S-10 a R$ 7,46 na média nacional, altas de 6,67% e 5,07% sobre o mesmo período de 2025. Para quem gere frota, a estabilidade não devolve a margem perdida no ano.

20 de out de 20264 min de leitura