Chevrolet no Brasil: um século de fábrica, 10,7% do mercado e R$ 10,5 bilhões até 2028
A marca que chegou em 1925 num galpão do Ipiranga hoje é a terceira em vendas do país, monta em quatro polos industriais e prepara a maior renovação de linha da sua história recente

Dado central da análise
O que você precisa saber
- A General Motors chegou ao Brasil em 1925 e abriu a primeira fábrica em São Caetano do Sul em 1930
- De janeiro a agosto de 2026 a Chevrolet emplacou 197.425 veículos e ficou com 10,7% do mercado, na terceira posição
- O Onix é o quarto carro mais vendido do país no acumulado do ano, com 62.055 unidades
- O investimento anunciado para o Brasil subiu de R$ 7 bilhões para R$ 10,5 bilhões até 2028
- A rede de concessionárias é representada pela ABRAC e está dividida em regiões administrativas que cobrem todos os estados
A Chevrolet é uma das três marcas que sustentam o mercado brasileiro há mais tempo e, ao mesmo tempo, uma das que mais precisam se reinventar agora. Em 2026 ela ocupa a terceira posição em vendas, tem quatro polos industriais em operação e acaba de receber o maior reforço de investimento da sua história recente no país. Este perfil reúne o que a marca é hoje, como chegou até aqui e o que os números dizem sobre os próximos anos.
De um galpão no Ipiranga à liderança industrial
A General Motors do Brasil nasceu em 1925, num galpão alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo. A operação começou modesta, montando veículos que chegavam desmontados dos Estados Unidos. Cinco anos depois, em 1930, veio a primeira fábrica própria, em São Caetano do Sul; a planta segue em atividade quase um século depois e é o endereço histórico da marca no país.
A segunda fábrica saiu em 1958, em São José dos Campos, inaugurada oficialmente no ano seguinte. Foi ali que a Chevrolet passou a operar em escala industrial de verdade.
O salto simbólico veio em 1968, com o Opala, o primeiro automóvel de passeio projetado e produzido pela GM no Brasil. Depois dele, a marca emendou uma sequência de carros que definiram gerações: o Chevette, lançado em 1973, passou de 1,2 milhão de unidades vendidas; o Corsa, de 1994, entrou na história como o primeiro carro popular com injeção eletrônica do país. Em 2000, o complexo de Gravataí, no Rio Grande do Sul, inaugurou um modelo de produção mais enxuto que viria a abrigar o Celta e, mais tarde, o Onix.
As fábricas em operação
Hoje a produção da Chevrolet no Brasil está distribuída em quatro endereços:
- São Caetano do Sul (SP), a planta original, de 1930
- São José dos Campos (SP), que reúne montagem e fundição
- Gravataí (RS), o complexo industrial aberto em 2000
- Polo Automotivo PACE (CE), que desde dezembro de 2025 monta o Spark EUV
Essa distribuição importa porque explica boa parte da estratégia da marca. Enquanto várias montadoras tradicionais reduziram ou encerraram operações no país, a Chevrolet manteve capacidade instalada; as fábricas desocupadas por concorrentes viraram porta de entrada para as marcas chinesas, um movimento que analisamos em Chinesas ocupam as fábricas que as montadoras tradicionais deixaram no Brasil.
A linha 2026
A renovação de linha apresentada para 2026 é a mais ampla dos últimos anos e mistura combustão, híbrido e elétrico.
- Onix: faróis full-LED, novo para-choque, quadro de instrumentos digital e central MyLink de 11 polegadas; motores 1.0 aspirado e 1.0 turbo; de R$ 102.990 a R$ 130.190
- Onix Plus: frente redesenhada, lanternas translúcidas e recalibração de motor que eleva o consumo a até 17,7 km/l com gasolina; de R$ 106.790 a R$ 136.490
- Tracker: nova identidade frontal, grade e para-choques redesenhados, interior revisto; motores 1.0 turbo e 1.2; de R$ 119.900 a R$ 190.590
- Spark EUV: SUV compacto elétrico, 258 km de autonomia e recarga de 30% a 80% em 35 minutos
- Captiva EV: SUV médio elétrico, ainda em homologação para o mercado brasileiro
Toda a linha sai com garantia de fábrica de cinco anos, um argumento comercial que a marca passou a usar de forma agressiva contra a concorrência chinesa.
Onde a Chevrolet está no mercado
Os números da Fenabrave para o acumulado de janeiro a agosto de 2026 colocam a Chevrolet em terceiro lugar entre as marcas, com 197.425 veículos emplacados e 10,7% de participação, num mercado total de 1.887.750 unidades no período.
No ranking de modelos, o Onix aparece em quarto lugar, com 62.055 unidades. É o único Chevrolet no top 10, o que mostra a dependência da marca em relação a um produto só; diversificar esse volume entre Tracker, Montana e os elétricos é justamente o objetivo da renovação de linha.
O contexto ajuda a entender a urgência. A Anfavea revisou para cima a projeção de produção do ano, como mostramos em Anfavea eleva projeção de produção para 5,8% e vê venda acima de 3 milhões de veículos; o mercado cresce, mas cresce com mais concorrentes disputando o mesmo comprador.
R$ 10,5 bilhões até 2028
Em 24 de junho de 2026, em Brasília, a GM anunciou o aporte de mais R$ 3,5 bilhões no Brasil. Somado ao plano de R$ 7 bilhões divulgado em 2024, o total chega a R$ 10,5 bilhões até 2028. O anúncio foi feito ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, com a presença de Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul, e de Fabio Rua, vice-presidente da companhia.
O dinheiro vai para renovação de portfólio, novas tecnologias, incluindo híbridos, modernização das fábricas e ampliação da capacidade de engenharia e manufatura, com concentração no Estado de São Paulo.
Na ocasião, Owsianski condicionou decisões desse porte a um ambiente estável: "Decisões de investimento dessa magnitude exigem visão de longo prazo e um ambiente que ofereça previsibilidade, segurança jurídica e condições adequadas de produção local."
A leitura de mercado é direta: a Chevrolet decidiu disputar o segmento de híbridos com produto nacional, em vez de ceder essa faixa de preço às marcas chinesas que chegaram importando.
Como está organizada a rede de concessionárias
A Chevrolet não divulga um número oficial consolidado de concessionárias no Brasil, e esse é um ponto que confunde muita gente na hora de pesquisar. O que existe é uma estrutura de representação bem definida.
A rede é representada pela ABRAC, Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet, criada em março de 1977. A entidade organiza as concessionárias em regiões administrativas que cobrem todo o território nacional. O estatuto fala em treze regiões; a relação publicada pela própria associação traz catorze, distribuídas assim:
- Região 1: município de São Paulo
- Região 2: litoral paulista, ABCD, Guarulhos, Osasco e demais municípios da Grande São Paulo
- Região 3: antiga região de Bauru
- Região 4: antiga região de Sorocaba
- Região 5: Minas Gerais
- Região 6: Rio Grande do Sul
- Região 7: Rio de Janeiro e Espírito Santo
- Região 8: Paraná
- Região 9: Santa Catarina
- Região 10: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins
- Região 11: Alagoas, Bahia e Sergipe
- Região 12: Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte
- Região 13: Ceará, Maranhão e Piauí
- Região 14: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima
Quatro das catorze regiões são só de São Paulo, o que dá a medida da concentração da rede no estado.
Parte relevante dessas lojas está nas mãos de grandes grupos revendedores que operam várias marcas. O Grupo Saga, por exemplo, nasceu em Goiânia em 28 de novembro de 1972 e hoje tem mais de 110 lojas em Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Distrito Federal e Rondônia, com vinte marcas no portfólio, entre elas a Chevrolet. É esse modelo, o grupo multimarca de capital regional, que sustenta boa parte da capilaridade da rede fora do eixo Rio e São Paulo.
Na frente de eletrificação, a marca começou a certificar concessionárias específicas para vender e atender carros elétricos. Em junho de 2021, quando lançou o Bolt EV, a rede certificada saltou de 26 para 79 concessionárias, cobrindo mais de 50 cidades em quase 20 estados; o número é antigo e serve como referência histórica, não como retrato de hoje.
Para localizar a concessionária mais próxima, o caminho confiável continua sendo o localizador oficial da Chevrolet, que busca por cidade, CEP ou nome da revendedora e permite filtrar por serviço, incluindo venda e atendimento de elétricos.
O que observar daqui para frente
Três pontos merecem acompanhamento nos próximos trimestres.
O primeiro é a dependência do Onix. Enquanto ele responder sozinho por quase um terço do volume da marca, qualquer oscilação no segmento de entrada mexe direto na participação de mercado da Chevrolet.
O segundo é a execução do plano de híbridos. Os R$ 10,5 bilhões só viram vantagem competitiva se o produto nacional chegar em preço e prazo que respondam à oferta chinesa.
O terceiro é a rentabilidade da rede. Concessionária vive de margem em venda nova, pós-venda e peças; com o mercado de reposição em retração, como mostramos em Mercado de reposição encolhe 11,2% mesmo com a frota brasileira crescendo, o equilíbrio financeiro das lojas fica mais dependente do volume de zero quilômetro.
A Chevrolet entra na segunda metade da década com fábrica, rede e caixa; o que está em disputa é a velocidade.
Perguntas frequentes
Quando a Chevrolet chegou ao Brasil?
A General Motors do Brasil foi criada em 1925, num galpão alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, onde começou montando veículos importados em regime CKD. A primeira fábrica própria veio em 1930, em São Caetano do Sul.
Onde a Chevrolet fabrica no Brasil hoje?
A montagem está distribuída entre São Caetano do Sul e São José dos Campos, em São Paulo, o complexo de Gravataí, no Rio Grande do Sul, e o Polo Automotivo PACE, no Ceará, que desde dezembro de 2025 monta o Spark EUV.
Quanto a Chevrolet vende no Brasil?
No acumulado de janeiro a agosto de 2026 a marca emplacou 197.425 veículos, o equivalente a 10,7% do mercado, segundo a Fenabrave; isso a coloca na terceira posição entre as marcas.
Quantas concessionárias Chevrolet existem no Brasil?
A montadora não divulga um número oficial consolidado. A rede é representada pela ABRAC, que organiza as concessionárias em regiões administrativas cobrindo todos os estados; para encontrar a loja mais próxima, o caminho é o localizador oficial da Chevrolet.
Qual o carro mais vendido da Chevrolet?
O Onix, que no acumulado de 2026 aparece em quarto lugar no ranking geral de vendas do país, com 62.055 unidades.