Movida lucra R$ 152,1 milhões no 3º trimestre e bate guidance; o que a prévia diz para quem gere frota
Lucro mais que dobrou sobre 2025, receita de locação chegou a R$ 2,7 bilhões e a venda de seminovos subiu para 20,1 mil carros; os números ainda não foram auditados e o balanço completo sai em 11 de novembro

O que você precisa saber
- A prévia da Movida aponta lucro líquido de cerca de R$ 152,1 milhões no 3º trimestre de 2026, alta de 117% sobre 2025
- O número supera o teto do guidance, que era de R$ 130 milhões a R$ 150 milhões
- A receita bruta de locação foi recorde, de R$ 2,7 bilhões, 19% acima de um ano antes
- O Ebitda somou cerca de R$ 1,8 bilhão, alta de 21%
- A empresa vendeu cerca de 20,1 mil seminovos no trimestre, com margem Ebitda de 1,1% nessa operação
- Os números não são auditados; o balanço completo sai em 11 de novembro, com apresentação no dia 12
A Movida abriu a temporada de resultados das locadoras com uma prévia forte. Os números preliminares do terceiro trimestre de 2026, divulgados em 13 de outubro, apontam lucro líquido de cerca de R$ 152,1 milhões, alta de 117% sobre os cerca de R$ 70 milhões de um ano antes. Foi o maior lucro trimestral da companhia em quatro anos.
A empresa ressalta que os dados não foram auditados. O balanço completo sai em 11 de novembro, com apresentação ao mercado no dia 12.
Os números da prévia
| Indicador | 3º tri 2026 | Comparação | | --- | --- | --- | | Lucro líquido | R$ 152,1 milhões | +117% sobre 3T25 | | Receita bruta de locação | R$ 2,7 bilhões | +19%, recorde | | Receita bruta total | R$ 4,2 bilhões | n/d | | Ebitda | R$ 1,8 bilhão | +21% | | Ebit | R$ 1,086 bilhão | +27% | | Seminovos vendidos | 20,1 mil | +3,6% sobre o 2T26 |
O lucro ficou acima do teto do guidance, que previa de R$ 130 milhões a R$ 150 milhões. No acumulado de janeiro a setembro, são cerca de R$ 412 milhões, contra a projeção de R$ 400 milhões. A empresa atribuiu o desempenho a ganho de eficiência, preço melhor, uso de tecnologia e controle de custos.
Locação puxa, seminovo acompanha
A receita de locação respondeu por cerca de dois terços do faturamento bruto e cresceu bem mais que a venda de carros usados. A Movida vendeu 20,1 mil seminovos, com margem Ebitda estável em 1,1% nessa operação. A margem estreita mostra que a revenda serve mais para renovar a frota do que para dar lucro, a mesma lógica que a Localiza descreve ao falar do seu braço de seminovos e da frota eletrificada.
Esse equilíbrio depende do preço do carro usado. O tema aparece no recorde de vendas de usados em 2026 e no risco de desvalorização do elétrico na desmobilização da frota.
O mercado reagiu com cautela
Mesmo com o resultado, a ação MOVI3 caiu cerca de 8% no pregão de 13 de outubro, segundo a BPMoney, depois de acumular alta superior a 80% no ano. A interpretação do veículo foi de realização de lucros depois da alta, e não de dúvida sobre os números; a empresa não comentou o movimento da ação.
O que isso diz para quem gere frota
Para o gestor que terceiriza a frota, o recado é de tarifa firme. Com juros altos, comprar carro ficou mais caro para as empresas, e as locadoras conseguem repassar preço na renovação dos contratos, como mostra o avanço da terceirização de caminhões e ônibus e do carro por assinatura.
Três pontos merecem atenção no balanço de novembro: o tamanho da frota, a dívida e o custo de capital, que ficaram fora da prévia. A escolha do modelo também pesa no custo total; o Selo Maior Valor de Revenda ajuda a medir a depreciação por segmento.
O setor se reúne no fim do mês na Expo ABLA 2026, em 28 e 29 de outubro, em São Paulo. A agenda completa está no calendário de eventos do Eixo Motor, e o retrato do setor de locação está no anuário da ABLA.
Perguntas frequentes
Quanto a Movida lucrou no terceiro trimestre de 2026?
Cerca de R$ 152,1 milhões, segundo a prévia não auditada divulgada em 13 de outubro. É uma alta de 117% sobre os cerca de R$ 70 milhões do mesmo trimestre de 2025 e o maior lucro trimestral da empresa em quatro anos.
A Movida cumpriu o guidance?
Sim. Em agosto, a empresa projetou lucro entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o trimestre. A prévia ficou cerca de R$ 2 milhões acima do teto. No acumulado de nove meses, o lucro de cerca de R$ 412 milhões superou a projeção de R$ 400 milhões.
Quanto a Movida faturou com locação?
A receita bruta de locação foi de cerca de R$ 2,7 bilhões no trimestre, recorde da companhia e 19% acima de um ano antes. Ela representa perto de dois terços da receita bruta total, de R$ 4,2 bilhões.
Quantos carros a Movida vendeu no trimestre?
Cerca de 20,1 mil seminovos, 3,6% a mais que os 19,4 mil do segundo trimestre. A margem Ebitda da venda de seminovos ficou estável em 1,1%.
Quando sai o balanço completo da Movida?
Em 11 de novembro de 2026, com apresentação ao mercado no dia 12. Até lá, os números são preliminares e podem mudar, assim como dados de dívida e frota que não constam da prévia.
O que o resultado da Movida significa para empresas que alugam frota?
Indica que as locadoras estão conseguindo repassar preço: a receita de locação cresceu bem mais que a venda de carros usados. Para quem terceiriza frota, isso sugere que as tarifas de renovação de contrato devem seguir firmes enquanto os juros continuarem altos.
Relacionadas

Locadoras compram 35,7% mais veículos até setembro e frota deve passar de 1,8 milhão em 2026, diz Abla
As locadoras emplacaram cerca de 570 mil veículos de janeiro a setembro de 2026, alta de 35,7% sobre os 420 mil do mesmo período de 2025, segundo a Abla. A projeção é fechar o ano com mais de 700 mil compras e frota acima de 1,8 milhão de unidades, recorde. O setor deve responder por 25% a 30% dos emplacamentos do país e já registrou 30,8 mil eletrificados.

Caminhão híbrido na mineração: Unidas Pesados testa modelo chinês que gasta até 32% menos diesel
A Unidas Pesados, locadora de caminhões e máquinas, está avaliando caminhões diesel-híbridos de um fabricante chinês para operações de mineração e negocia um primeiro lote de 10 unidades, segundo reportagem da AutoData de 22 de outubro de 2026. O sistema combina motor a diesel com recuperação de energia elétrica e reduz o consumo de 28% a 32% nesse tipo de operação. A compra ainda não foi fechada, e o modelo e o fabricante não foram divulgados. A frota da empresa tem cerca de 6 mil caminhões, 98% deles a diesel.

Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota
O preço do diesel S-10 ficou estável na primeira quinzena de outubro de 2026, em torno de R$ 6,94 por litro nos postos de rodovia, segundo a TruckPag, mas acumula alta de 20,1% desde janeiro, quando custava R$ 5,78. O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra o diesel comum a R$ 7,20 e o S-10 a R$ 7,46 na média nacional, altas de 6,67% e 5,07% sobre o mesmo período de 2025. Para quem gere frota, a estabilidade não devolve a margem perdida no ano.