Cummins no Brasil: a história da fabricante de motores diesel que completa 40 anos de centro técnico em Guarulhos
Da importação em 1958 à fábrica de 1974, a empresa passou de 1,4 milhão de motores produzidos no país e transformou o antigo laboratório de testes em centro de engenharia com certificação internacional

Dado central da análise
Testes de motores foram feitos pelo centro técnico da Cummins em Guarulhos entre 2020 e 2026; 48% deles para as exigências do Proconve.
O que você precisa saber
- A Cummins foi fundada em 1919 em Columbus, Indiana, nos Estados Unidos, por Clessie Cummins
- No Brasil, começou como importadora em 1958 e abriu subsidiária em 1971
- A produção de motores em Guarulhos (SP) começou em 1974
- Em 2007 a empresa produziu 77 mil motores no ano e se tornou a maior fabricante de motores diesel do país
- Passou de 1 milhão de motores nacionais em 2012 e de 1,4 milhão em 2021, ano dos 50 anos da subsidiária
- O centro técnico de Guarulhos, aberto em 1986, completou 40 anos em setembro de 2026
- Recebeu US$ 6,2 milhões em cinco anos e fez mais de 18,4 mil testes entre 2020 e 2026
- Simula altitude de até 5.200 metros e temperatura de até 22 °C negativos, com acreditação da britânica VCA
Pouca gente sabe o nome do motor que puxa o caminhão, mas boa parte da frota brasileira já rodou com um Cummins sob a cabine. A fabricante americana completa em 2026 os 40 anos do seu centro técnico em Guarulhos (SP), e a data é um bom pretexto para contar como uma importadora de motores virou referência em engenharia de diesel no país.
De Indiana a Guarulhos
A Cummins nasceu em 1919, em Columbus, Indiana, criada pelo mecânico Clessie Cummins. Chegou ao Brasil em 1958, só vendendo motores importados. Em 1971, montou a subsidiária e comprou ativos da alemã Deutz, incluindo a fábrica de motores em Guarulhos. A produção local começou em 1974.
Os primeiros anos tiveram sócio: em 1975 a mineradora Caemi ficou com 51% da operação, que passou a se chamar Caemi-Cummins. A sociedade terminou em 1981, quando surgiu a Cummins Brasil S.A., já com um programa de exportação aprovado.
Os motores que marcaram época
| Ano | Marco | | --- | --- | | 1975 | Lançamento do N-855, seis cilindros e 14 litros | | 1986 | Série C, de 8,3 litros, para semipesados; abertura do laboratório de testes | | 1989 | Série B, de 3,9 a 5,9 litros, para médios | | Anos 1990 | Fornecimento para o Ford Cargo e para o consórcio modular da VW em Resende | | 2000 | Início da produção do ISM, de 11 litros, com gerenciamento eletrônico | | 2007 | Recorde de 77 mil motores no ano; 600 mil unidades acumuladas | | 2012 | 1 milhão de motores nacionais | | 2021 | 50 anos da subsidiária e 1,4 milhão de motores |
A Série B virou um dos motores mais comuns em caminhões leves e médios no país. A relação com a Volkswagen, que ajudou a consolidar a marca nos anos 1990, aparece na história recente da Volkswagen Caminhões e Ônibus. A saída da Ford da produção nacional, que encerrou o Cargo, está no perfil da Ford no Brasil.
O laboratório que virou centro de engenharia
Aberto em 1986, o espaço de Guarulhos começou medindo motores com instrumentos analógicos; preparar um ensaio levava quase um dia. Hoje ele desenvolve produtos, valida componentes, define calibrações e apoia a nacionalização de motores.
Nos últimos cinco anos, recebeu US$ 6,2 milhões de modernização. Entre 2020 e 2026, fez mais de 18,4 mil testes, e o volume anual cresceu 300% de 2021 a 2025. Quase metade dos ensaios (48%) atende o Proconve, e 43% seguem as normas Euro III, V e VI, usadas em mercados de exportação. É um trabalho que ganha peso a cada nova fase da legislação de emissões, como mostrou a fase L8 do Proconve nos carros.
O centro simula altitude de até 5.200 metros e frio de até 22 °C negativos, tem quatro dinamômetros que recuperam a energia gerada nos testes e 104 painéis solares, que produzem cerca de 61 MWh por ano. Tem certificação ISO 17025 e acreditação da VCA, a agência britânica de certificação veicular, o que permite emitir ensaios aceitos fora do Brasil. As condições severas da América Latina passaram a servir de base para programas globais da Cummins.
Diesel, gás e o que vem depois
Em 2022, a empresa anunciou R$ 170 milhões para adaptar a linha à fase P8 do Proconve, equivalente ao Euro 6, que passou a valer para veículos pesados em 2023. Em 2021, criou a divisão New Power, voltada a componentes para elétricos e hidrogênio, e nos anos seguintes ampliou a oferta de motores a gás.
O cenário de curto prazo não é simples. O mercado de caminhões de 2026 desacelerou com os juros, e a eletrificação avança nos caminhões elétricos de longa distância. Para uma fabricante de motores independente, a aposta está em ter engenharia local capaz de acompanhar diesel, gás e novos combustíveis ao mesmo tempo. A próxima vitrine é a Fenatran, em novembro; veja as datas no calendário de eventos.
Perguntas frequentes
Desde quando a Cummins está no Brasil?
Desde 1958, como importadora. A subsidiária foi criada em 1971, e a fábrica de Guarulhos começou a produzir motores em 1974.
Onde fica a fábrica da Cummins no Brasil?
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde também está o centro técnico. A empresa anunciou em 2012 a construção de uma unidade em Itatiba, no interior paulista.
Quantos motores a Cummins já fabricou no Brasil?
A marca de 1 milhão de motores nacionais foi atingida em 2012, e a de 1,4 milhão em 2021, quando a subsidiária completou 50 anos.
Para quem a Cummins fornece motores?
Para fabricantes de caminhões, ônibus, máquinas de construção e geradores. Nos anos 1990, passou a fornecer para o Ford Cargo e para o consórcio modular da Volkswagen em Resende (RJ).
O que faz o centro técnico da Cummins em Guarulhos?
Desenvolve e valida motores e componentes, define calibrações e apoia a nacionalização de produtos. Fez mais de 18,4 mil testes de 2020 a 2026, 48% deles para o Proconve e 43% para normas Euro III, V e VI.
O que a Cummins faz além do diesel?
Oferece motores a gás, trabalha com combustíveis de baixo carbono e criou em 2021 a divisão New Power, voltada a componentes para veículos elétricos e hidrogênio.
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