Honda: 50 anos de Manaus, 1 milhão de motos em oito meses e um híbrido flex que não chegou
A empresa que domina 64% do mercado brasileiro de motos ocupa apenas a nona posição entre as marcas de automóveis, e a ponte entre os dois negócios é a eletrificação que ainda não saiu do papel

Dado central da análise
De motos emplacadas de janeiro a agosto de 2026
O que você precisa saber
- Fundação: Honda Motor constituída em 24 de setembro de 1948, por Soichiro Honda
- Maior fabricante de motocicletas do mundo desde 1959; 500 milhões de motos produzidas em maio de 2025
- Ano fiscal encerrado em março de 2026: prejuízo operacional de 414,3 bilhões de ienes
- Chegada ao Brasil: 1971 com motos importadas; fábrica de Manaus inaugurada em 1976
- Produção de automóveis no Brasil: Sumaré desde outubro de 1997, transferida integralmente para Itirapina até dezembro de 2021
- Fábrica de Itirapina: R$ 1 bilhão, inaugurada em 27 de março de 2019, 120 mil veículos por ano
- Produção acumulada de automóveis no Brasil: 2,5 milhões de unidades, marco anunciado em janeiro de 2026
- Produção acumulada de motos em Manaus: 33 milhões, anunciada em setembro de 2026
- Motos em agosto de 2026: 131.427 unidades e 64,05% do mercado brasileiro
- Motos de janeiro a agosto de 2026: 1,03 milhão de unidades, contra 943 mil em 2025
- Automóveis de janeiro a agosto de 2026: 73.027 unidades, 4% e nona posição
- Investimentos anunciados: R$ 4,2 bilhões em automóveis até 2030 e R$ 1,6 bilhão em motos até 2029
# Honda: 50 anos de Manaus, 1 milhão de motos em oito meses e um híbrido flex que não chegou
A Honda tem no Brasil duas empresas que quase não se conversam. Uma é líder absoluta. A outra luta pelo nono lugar.
Resposta rápida
A Honda Motor foi constituída em setembro de 1948 por Soichiro Honda, no Japão, e é a maior fabricante de motocicletas do mundo desde 1959. No Brasil, a fábrica de motos de Manaus completa 50 anos em 2026 e já produziu 33 milhões de unidades. Em automóveis, a produção saiu de Sumaré para Itirapina, no interior de São Paulo, e a marca emplacou 73.027 unidades de janeiro a agosto de 2026, nona posição e 4% do mercado. As motos emplacaram 1,03 milhão no mesmo período.
Um instituto de pesquisa que virou fabricante de motores
Soichiro Honda fundou o Honda Technical Research Institute em outubro de 1946, e a Honda Motor Co. foi constituída em 24 de setembro de 1948.
Os primeiros produtos foram o motor auxiliar Tipo A e a motocicleta Dream D-Type, ambos de 1949. A Super Cub, de 1958, se tornou o veículo motorizado mais produzido da história. A entrada nos automóveis só veio em 1963, com a caminhonete T360 e o esportivo S500.
Desde 1959 a Honda é a maior fabricante de motocicletas do mundo, e em maio de 2025 alcançou 500 milhões de motos produzidas. É também a maior fabricante mundial de motores a combustão em número de unidades, com mais de 14 milhões por ano.
O ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026 trouxe um número que a imprensa brasileira pouco explorou: prejuízo operacional de 414,3 bilhões de ienes, contra lucro de 1,21 trilhão no exercício anterior. A própria empresa aponta como causas principais perdas ligadas a veículos elétricos, da ordem de 1,58 trilhão de ienes, e o impacto de tarifas. No mesmo período foram 22,1 milhões de motos e 3,39 milhões de automóveis vendidos no grupo.
No Brasil, a moto chegou vinte anos antes do carro
A Honda começou a operar no país em 1971, vendendo motos importadas. Em 1976 inaugurou a Moto Honda da Amazônia, em Manaus, com a produção da primeira CG. Em 1981 criou o Consórcio Nacional Honda, que virou um negócio próprio dentro do negócio.
Os automóveis só chegaram em 1992, como importados, e a produção nacional começou em 6 de outubro de 1997, em Sumaré, com o Civic, a 20 unidades por dia e 400 funcionários.
Em 2014 a empresa inaugurou em Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul, o primeiro parque eólico próprio da Honda no mundo, que abastece as fábricas brasileiras. Em onze anos, o parque permitiu produzir mais de 1,1 milhão de automóveis com energia renovável.
Sumaré saiu de cena sem fechar as portas
A fábrica de automóveis de Itirapina foi inaugurada em 27 de março de 2019, com investimento de R$ 1 bilhão, capacidade de 120 mil veículos por ano em dois turnos, terreno de 5,8 milhões de metros quadrados e 138 mil metros quadrados construídos.
A transferência integral da produção de Sumaré para Itirapina se concluiu em dezembro de 2021. Sumaré não foi desativada: segue como polo de motores, com fundição, usinagem e montagem, além de sede administrativa, engenharia, pesquisa e desenvolvimento e treinamento técnico. A linha antiga de veículos ficou no local, desmontada de função mas não de equipamento.
Em janeiro de 2026 a Honda anunciou 2,5 milhões de automóveis produzidos no Brasil, com mais de 100 mil unidades em 2025, alta de 11%, cerca de 3.500 funcionários, mais de 200 concessionárias e 139 fornecedores locais. Os modelos nacionais são WR-V, HR-V, City Hatchback e City Sedan.
Manaus é a operação que sustenta a marca no país
Em 24 de setembro de 2026 a Honda anunciou 33 milhões de motos produzidas em Manaus, no ano em que a fábrica completa cinco décadas. São cerca de 7 mil motos por dia, mais de 9 mil empregados diretos e exportação para mais de 15 países.
Os números de mercado explicam por que essa é a operação que importa. Em agosto de 2026 a Honda respondeu por 64,05% do mercado brasileiro de motos, com 131.427 unidades, contra 14,72% da Yamaha. Os quatro modelos mais vendidos do mês foram todos dela: CG 160 com 48.053 unidades, Pop 110i com 23.622, Biz com 21.245 e NXR 160 Bros com 16.270.
No acumulado de janeiro a agosto de 2026 a marca emplacou 1,03 milhão de motos, contra 943 mil no mesmo período de 2025, primeira vez que supera a marca de um milhão em oito meses. A família CG sozinha passou de 362 mil unidades.
Isso não é dado de lazer. É dado de trabalho: entrega por aplicativo, deslocamento diário de quem não cabe na parcela de um carro e transporte por plataforma. A moto de baixa cilindrada responde por 78,9% da produção do polo de Manaus.
Os automóveis andam em outro ritmo
No mercado de automóveis e comerciais leves, a Honda emplacou 73.027 unidades de janeiro a agosto de 2026, 4% de participação e nona posição, atrás da Jeep e à frente da GWM. Em agosto isolado foram 9.677 unidades e 3,68%.
A linha atual é enxuta e quase toda a combustão. Os nacionais City Sedan e City Hatch partem de R$ 117.500; o WR-V, renovado em novembro de 2025, vai de R$ 145.000 a R$ 150.000; o HR-V vai de R$ 166.400 a R$ 214.000. Importados, o ZR-V custa R$ 214.500 com motor 2.0 aspirado, sem eletrificação, o Civic e:HEV sai por R$ 265.000 e o CR-V híbrido tem tabela de R$ 353.500, com volume em torno de 40 unidades por mês.
O híbrido flex é o elo que falta
Em 19 de abril de 2024 a Honda anunciou investimento de R$ 4,2 bilhões no Brasil até 2030 e declarou que o país seria o primeiro mercado a receber a tecnologia híbrida e:HEV flex, movida a etanol, com cerca de 1.700 novas vagas previstas. Em 2 de outubro de 2025 veio um segundo pacote, de R$ 1,6 bilhão até 2029, para as operações de motocicletas em Manaus, mirando capacidade de 1,6 milhão de unidades por ano.
Passados dois anos e meio do primeiro anúncio, a Honda ainda não divulgou data oficial de lançamento do primeiro híbrido flex no Brasil. Toda a linha nacional segue flex a combustão, e os dois eletrificados que a marca vende aqui são importados e caros.
Enquanto isso, as chinesas fabricam híbrido plug-in flex em solo brasileiro, como mostram os perfis da BYD e da GWM, e a Hyundai já anunciou o Creta híbrido flex nacional. A Honda tem o melhor sistema híbrido em série do mercado japonês e a maior base instalada de clientes de duas rodas do país, e ainda assim chega depois nesse capítulo.
O que observar em 2027
Nas motos, a linha 2027 já está em mercado, com a XR300L Tornado a R$ 31.700 e a NXR 160 Bros chegando em outubro de 2026 a partir de R$ 22.830. A primeira moto elétrica da marca, a WN7, foi apresentada em novembro de 2025 e começa pela Europa, sem confirmação de vinda ao Brasil.
Nos carros, a reestilização do City já foi revelada na Ásia e deve chegar em 2027, com apresentação da linha 2027 prevista para o início de outubro de 2026. A nova geração do sistema híbrido entra em produção global em 2027, com ganho declarado acima de 10% em consumo e queda de cerca de 30% no custo de fabricação, o que é justamente a condição que faltava para viabilizar um híbrido flex de preço competitivo por aqui.
Perguntas frequentes
Onde ficam as fábricas da Honda no Brasil?
A fábrica de motocicletas fica em Manaus, no Amazonas, e opera desde 1976. Os automóveis são produzidos em Itirapina, no interior de São Paulo, desde 2019. Sumaré segue ativa como polo de motores, sede administrativa e centro de engenharia, mas não produz mais veículos.
Qual é a moto mais vendida do Brasil?
A Honda CG 160, com 48.053 unidades emplacadas em agosto de 2026. A Honda liderou o mercado de motos naquele mês com 64,05% de participação, e os quatro modelos mais vendidos do mês eram todos da marca.
Quantas motos a Honda vendeu no Brasil em 2026?
Foram 1,03 milhão de motos emplacadas de janeiro a agosto de 2026, contra 943 mil no mesmo período de 2025. É a primeira vez que a marca supera um milhão de unidades em oito meses no país.
A Honda vende carro híbrido no Brasil?
Sim, mas apenas importados: o Civic e:HEV, por R$ 265.000, e o CR-V híbrido, com tabela de R$ 353.500. Toda a linha produzida no Brasil, formada por City Sedan, City Hatch, HR-V e WR-V, é flex a combustão.
Quando chega o híbrido flex da Honda no Brasil?
A Honda anunciou em abril de 2024 que o Brasil seria o primeiro mercado a receber a tecnologia e:HEV flex, dentro de um investimento de R$ 4,2 bilhões até 2030, mas até setembro de 2026 não divulgou data oficial de lançamento.
Quanto a Honda vai investir no Brasil?
São dois pacotes distintos: R$ 4,2 bilhões em automóveis até 2030, anunciados em abril de 2024, e R$ 1,6 bilhão nas operações de motocicletas de Manaus até 2029, anunciados em outubro de 2025.
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