A moto usada virou negócio de comprador, e a de alta cilindrada é onde a conta melhor fecha
Com o estoque de zero quilômetro normalizado, o preço da seminova parou de subir artificialmente; a desvalorização mais forte das médias e grandes no primeiro dono abre a melhor janela para o segundo

Dado central da análise
Quase 300 mil motos usadas foram comercializadas em janeiro de 2026, alta de 6,8% sobre o mesmo mês de 2025, com preços estáveis pela primeira vez em vários anos.
O que você precisa saber
- O mercado de motos usadas comercializou quase 300 mil unidades em janeiro de 2026, alta de 6,8% sobre 2025
- A normalização dos estoques de motos zero quilômetro reduziu a alta artificial de preço que existia nas seminovas
- Os preços de moto usada apresentam estabilidade em 2026, o que devolve poder de negociação ao comprador
- Modelos de média e alta cilindrada sofrem desvalorização inicial mais acentuada que os de baixa cilindrada
- Essa desvalorização maior no primeiro dono é o que cria o melhor custo-benefício para o segundo comprador
- A Honda CB 600F Hornet mantém das melhores sustentações de valor na revenda
- BMW R 1200 e R 1300 GS, Yamaha MT-07, Kawasaki Z900 e Triumph Tiger 900 estão entre os modelos com oferta relevante
- O comprador passou a exigir histórico de revisões, verificação de sinistro e checagem de passagem por leilão
- A existência de assistência técnica ativa no Brasil virou critério de decisão, não detalhe
O mercado de motos usadas abriu 2026 com quase 300 mil unidades comercializadas só em janeiro, alta de 6,8% sobre o mesmo mês de 2025.
O número é bom. O que mudou de verdade, porém, não foi o volume. Foi quem manda no preço.
A normalização que devolveu a barganha
Durante um bom tempo a seminova de duas rodas foi vendida com um prêmio que não tinha a ver com o valor da moto. Tinha a ver com falta.
Quando não havia moto zero quilômetro disponível em prazo razoável, quem tinha uma usada em estoque cobrava por isso. O comprador que não queria esperar seis meses pagava a diferença.
Esse ciclo se encerrou. Com o estoque de novas normalizado, o prêmio da pressa evaporou, e o preço da usada voltou a se comportar como preço de usado: estável, sensível a estado de conservação e negociável.
É um ambiente diferente do que se vê no mercado de motos novas, que segue em alta de emplacamento puxado por trabalho.
Onde está a melhor conta
Aqui aparece um mecanismo que muita gente entende ao contrário.
Moto de média e alta cilindrada desvaloriza mais nos primeiros anos que moto de baixa cilindrada. Parece defeito. Para quem compra usado, é oportunidade.
A razão é de mercado, não de qualidade. A moto de 160 cilindradas é comprada como ferramenta: ela trabalha, ela se paga, e há fila de gente querendo comprá-la usada, porque é o degrau de entrada da mobilidade de quem roda por aplicativo ou não cabe na parcela de um carro. Demanda firme sustenta preço.
A moto de 700, 900 ou 1.200 cilindradas é comprada por escolha. O público é menor, o valor é maior e o primeiro dono absorve a maior parte da queda. Quem chega depois paga bem menos por uma moto com pouca rodagem e, em muitos casos, ainda dentro da garantia.
Os modelos que aparecem
A Honda CB 600F Hornet continua sendo a referência de sustentação de valor. É um caso raro de moto que virou padrão de revenda no Brasil e segue cotada acima da média da sua categoria mesmo anos depois de sair de linha.
Entre as de maior porte com oferta relevante estão BMW R 1200 GS e R 1300 GS, no segmento big trail; Yamaha MT-07 e Kawasaki Z900, nas nakeds de média e alta cilindrada; e a Triumph Tiger 900, que agrega eletrônica embarcada ao pacote.
São perfis diferentes de uso, mas com um ponto em comum: todos têm rede de assistência estabelecida no país, o que segura o valor.
O comprador ficou mais exigente
Houve uma mudança clara de comportamento. O comprador de moto usada passou a pedir documentação antes de pedir desconto.
O que ele checa hoje:
Histórico de revisões, de preferência na rede autorizada, com registro de quilometragem em cada uma.
Consulta de sinistro, para saber se a moto já foi indenizada por seguradora.
Passagem por leilão, que costuma não aparecer em anúncio e muda o valor do bem de forma relevante.
Assistência técnica ativa no Brasil para aquele modelo. Esse virou o critério decisivo, e com razão: peça de moto de alta cilindrada pode ser cara e, em alguns casos, importada. Sem rede próxima, uma manutenção de rotina vira semanas de moto parada.
Esse último ponto conversa com um problema mais amplo do setor, que é a dependência de importação no mercado de reposição e a retração da reposição.
O pano de fundo
O mercado de usados brasileiro como um todo vive um ano forte. De janeiro a agosto de 2026 foram 12.532.488 transferências, alta de 6,4%, com os seminovos de zero a três anos crescendo 13,5%, segundo a Fenauto. Só agosto registrou 1.699.519 transferências.
Esse é o mesmo movimento que aparece no recorde de venda de carros usados: com o zero quilômetro caro, o usado recente vira a escolha racional.
Para as duas rodas há um componente extra. A frota circulante de motos não para de crescer, como mostra o retrato da frota brasileira, e parte relevante dela é ferramenta de renda, o que sustenta a demanda por usado de baixa cilindrada mesmo em ano de juro alto.
O que olhar daqui para frente
Se a oferta de zero quilômetro seguir normalizada, o preço da usada tende a continuar comportado, e a janela para o comprador permanece aberta. O calendário de lançamentos de 2027 traz modelos novos que, ao chegarem, empurram a geração anterior para o usado e ampliam a oferta.
Para quem vende, a recomendação é a de sempre, e agora vale mais: moto com histórico documentado e revisão em dia não é detalhe de apresentação. É a diferença entre vender pelo preço de tabela e vender pelo preço que o comprador estipular.
Perguntas frequentes
Como está o mercado de motos usadas em 2026?
Em alta de volume e com preço estável. Só em janeiro de 2026 foram comercializadas quase 300 mil unidades usadas, crescimento de 6,8% sobre o mesmo mês de 2025.
Por que o preço da moto usada parou de subir?
Porque o estoque de motos zero quilômetro se normalizou. Quando falta moto nova, a seminova sobe artificialmente de preço; quando a oferta de nova se regulariza, esse prêmio desaparece.
Vale mais a pena comprar moto usada de alta cilindrada?
Para o segundo dono, costuma valer. Modelos de média e alta cilindrada perdem valor de forma mais acentuada nos primeiros anos, o que significa que quem compra depois paga bem menos por uma moto ainda nova de rodagem.
Qual moto usada segura melhor o valor de revenda?
A Honda CB 600F Hornet é referência histórica nesse quesito no mercado brasileiro, mantendo valor acima da média da categoria ao longo do tempo.
Quais modelos de alta cilindrada têm mais oferta no usado?
Entre os mais presentes aparecem BMW R 1200 GS e R 1300 GS, Yamaha MT-07, Kawasaki Z900 e Triumph Tiger 900, além da própria Hornet.
O que verificar antes de comprar uma moto usada?
Histórico completo de revisões, consulta de sinistro, checagem de passagem por leilão e, principalmente, se existe assistência técnica ativa da marca no Brasil para aquele modelo.
Por que a assistência técnica virou critério de compra?
Porque moto de média e alta cilindrada tem peça cara e, em alguns casos, importada. Sem rede autorizada por perto, uma manutenção simples vira parada longa e custo alto, e isso derruba o valor do bem.
A moto usada compete com a moto nova?
Compete em parte. A moto nova de baixa cilindrada é comprada como ferramenta de trabalho e depende de crédito. A usada de média e alta cilindrada atende outro perfil, que compra por uso e por prazer e é mais sensível a preço do que a prazo.
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