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Pneus importados já são 70% da reposição no Brasil; venda da indústria nacional cai 13,3% em 2026

Dados da Anip mostram importação 58,3% maior de janeiro a agosto, com a China à frente; no pneu de carga, a entrada de estrangeiros mais que dobrou

Pneus importados já são 70% da reposição no Brasil; venda da indústria nacional cai 13,3% em 2026
Imagem: Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

O que você precisa saber

  • O Brasil importou 34,2 milhões de pneus de janeiro a agosto de 2026, alta de 58,3%
  • As fábricas nacionais venderam 14,6 milhões de pneus para a reposição no período, queda de 13,3%
  • Os importados ficaram com 70% da reposição; em 2019 eram 34%
  • No pneu de passeio e comercial leve, a importação subiu 47,8% e chegou a 27 milhões de unidades
  • A China forneceu 81% dos pneus de passeio importados, 21,8 milhões de unidades
  • No pneu de carga, a importação cresceu 116,2% e os estrangeiros ficaram com 72% da reposição
  • A venda total das fábricas instaladas no país caiu 8,6%, para 23,6 milhões de unidades
  • O setor nacional tem 19 fábricas em sete estados e 35 mil empregos diretos

Sete em cada dez pneus vendidos na reposição brasileira em 2026 vieram de fora do país. O número é da Anip, a associação das fabricantes instaladas no Brasil, e resume uma virada que levou seis anos: em 2019, a indústria nacional tinha 66% desse mercado; agora tem 30%.

De janeiro a agosto, entraram 34,2 milhões de pneus importados, contra 21,6 milhões no mesmo período de 2025. É uma alta de 58,3%. No mesmo intervalo, as fábricas locais venderam 14,6 milhões de unidades para a reposição, 13,3% a menos.

Passeio: a China na frente

O segmento de carros de passeio e comerciais leves concentra o volume. A importação chegou a 27 milhões de unidades (alta de 47,8%), e a venda nacional para a reposição caiu 14,1%, para 11,9 milhões. Os importados ficaram com 69% das vendas.

A origem é conhecida. A China mandou 21,8 milhões de pneus de passeio, 81% de tudo o que foi importado nessa categoria. É o mesmo movimento visto nos carros importados, que já somam um quinto do mercado, e nas autopeças, com déficit comercial crescente.

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Carga: importação mais que dobra

No pneu de caminhão e ônibus, a mudança foi ainda mais rápida. A importação subiu 116,2%, e os estrangeiros já ocupam 72% da reposição. A venda das fábricas nacionais nesse canal recuou 9,8%, para 2,75 milhões de unidades; somadas as vendas às montadoras, a queda foi de 7,2%.

Para o transportador, pneu é um dos maiores itens do custo por quilômetro. Com o frete ainda abaixo do custo, o pneu mais barato virou atalho para fechar a conta, o que ajuda a explicar a velocidade da troca de fornecedor.

| Indicador (jan. a ago. 2026) | Número | Variação | | --- | --- | --- | | Pneus importados | 34,2 milhões | +58,3% | | Venda nacional na reposição | 14,6 milhões | -13,3% | | Fatia dos importados na reposição | 70% | 34% em 2019 | | Importação de pneus de passeio | 27 milhões | +47,8% | | Pneus de carga vindos da China | 2,64 milhões | +78% | | Fatia dos importados na reposição de carga | 72% | importação total +116,2% | | Venda total das fábricas nacionais | 23,6 milhões | -8,6% |

O alerta da indústria

A Anip reúne 19 fábricas em sete estados, que empregam 35 mil pessoas diretamente. O presidente da entidade, Rodrigo Navarro, afirmou que o país assiste à destruição da indústria nacional de pneus e que a perda de espaço acontece em condições que a associação considera desleais. A preocupação é com emprego, investimento e capacidade produtiva instalada.

O debate se soma à discussão sobre tarifas e conteúdo local no setor automotivo e ao encolhimento do mercado de reposição de autopeças, que também sente a concorrência asiática.

E para o motorista?

Na prática, há mais opção de marca e preço na hora da troca. O cuidado é não escolher só pela etiqueta de preço. Confira o selo do Inmetro, a data de fabricação gravada na lateral (os quatro dígitos indicam semana e ano) e a etiqueta de eficiência, que mostra resistência ao rolamento, frenagem no piso molhado e ruído. Um pneu que freia pior no molhado custa pouco na loja e muito na estrada.

Perguntas frequentes

Quanto do mercado de pneus de reposição é importado no Brasil?

De janeiro a agosto de 2026, 70% dos pneus vendidos na reposição foram importados, segundo a Anip. Os fabricantes nacionais ficaram com 30%.

Quantos pneus o Brasil importou em 2026?

Foram 34,2 milhões de unidades nos oito primeiros meses do ano, contra 21,6 milhões no mesmo período de 2025, alta de 58,3%.

De onde vêm os pneus importados?

Principalmente da China, que respondeu por 81% dos pneus de passeio importados no período, com 21,8 milhões de unidades.

Por que a indústria nacional de pneus vende menos?

Porque o pneu importado, sobretudo o chinês, chega com preço menor e ganhou espaço na reposição, que é onde o motorista compra. A Anip classifica a concorrência como desleal e alerta para o risco a empregos e investimentos.

O pneu de carga também está sendo importado?

Sim. A importação de pneus de carga cresceu 116,2% e os estrangeiros já ocupam 72% da reposição desse segmento. A venda nacional para reposição caiu 9,8%.

O que isso muda para quem vai trocar os pneus do carro?

Há mais oferta e mais faixas de preço. Vale conferir o selo do Inmetro, a data de fabricação gravada na lateral e a classificação de rolagem, frenagem no molhado e ruído na etiqueta antes de decidir só pelo preço.

Fontes: Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), dados de janeiro a agosto de 2026 com base no ComexStat, divulgados em 28 de setembro de 2026; Frota&Cia, O Povo e Transporte Moderno, 28 de setembro de 2026
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