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Mercedes-Benz 70 anos no Brasil: a história da fábrica que colocou o país no diesel

Inaugurada em 28 de setembro de 1956 em São Bernardo do Campo, a primeira fábrica da marca fora da Alemanha já fez 800 mil ônibus; aos 70 anos, a empresa disputa a liderança em caminhões com a Volkswagen e a pressão das chinesas

Mercedes-Benz 70 anos no Brasil: a história da fábrica que colocou o país no diesel
Imagem: Foto: Semih Başaran/Pexels

Dado central da análise

800 mil

Ônibus produzidos pela Mercedes-Benz no Brasil desde 1956, marca atingida em agosto de 2026, às vésperas dos 70 anos da fábrica de São Bernardo do Campo.

O que você precisa saber

  • A fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) foi inaugurada em 28 de setembro de 1956, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek
  • Foi a primeira fábrica da marca fora da Alemanha
  • O primeiro caminhão nacional, o L-312, tinha motor diesel de seis cilindros e 110 cv e levava seis toneladas
  • O primeiro chassi de ônibus foi o LP 312, de 1956, e o monobloco O 321 H chegou em 1958
  • A primeira exportação saiu em 1961: 550 ônibus O 321 para a Argentina
  • A marca chegou a 800 mil ônibus produzidos no país em agosto de 2026 e exporta ônibus para mais de 100 países
  • Entre 1999 e 2010, Juiz de Fora (MG) fez automóveis Classe A e CLC; Iracemápolis (SP) fez Classe C e GLA até 2020
  • Em 2026 a empresa é a segunda maior fabricante de caminhões do país e projeta mercado de 5% a 10% menor no ano

No dia 28 de setembro de 2026, a Mercedes-Benz completa 70 anos de produção no Brasil. A data marca a inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), em 1956, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek.

Foi a primeira fábrica da marca fora da Alemanha. E foi também uma das peças centrais do plano de industrialização daquela década, com uma cadeia de fornecedores que se espalhou pelo ABC paulista.

Ficha rápida

| Item | Dado | | --- | --- | | Início da produção | 28 de setembro de 1956 | | Fábrica original | São Bernardo do Campo (SP) | | Primeiro caminhão | L-312, diesel de seis cilindros, 110 cv, 6 toneladas | | Primeiro ônibus | Chassi LP 312 (1956) e monobloco O 321 H (1958) | | Primeira exportação | 1961, 550 ônibus O 321 para a Argentina | | Ônibus produzidos | 800 mil, marca de agosto de 2026 | | Presidente | Denis Güven |

1956: o diesel entra na estrada

Antes da Mercedes-Benz, o transporte de carga no Brasil rodava majoritariamente a gasolina. O L-312 trouxe um motor diesel de seis cilindros, com 110 cv, capaz de levar seis toneladas. O combustível mais barato e o motor mais durável mudaram a conta do caminhoneiro.

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É desse período a base da matriz de transporte que o país tem até hoje, apoiada na rodovia e no motor a diesel.

O ônibus como marca registrada

No transporte de passageiros, a presença da marca é ainda maior. O primeiro chassi de ônibus nacional foi o LP 312, de 1956. Em 1958 veio o O 321 H, um monobloco com motor diesel traseiro de injeção direta, solução avançada para a época.

Em 1961, a fábrica fez sua primeira exportação: 550 ônibus O 321 para a Argentina. Hoje a empresa exporta ônibus para mais de 100 países.

Em agosto de 2026, a Mercedes-Benz chegou a 800 mil ônibus produzidos no Brasil. Segundo a empresa, cerca de 70% dos ônibus em circulação no país levam a estrela. A família O 500 é a referência atual nas linhas urbanas e rodoviárias, e a marca levou chassis a diesel e elétricos à Lat.Bus, em agosto. O tema dialoga com a expansão do ônibus elétrico no Brasil e com a tarifa zero nas cidades.

A passagem pelos automóveis

A Mercedes-Benz também tentou produzir carro de passeio no país, e a história terminou nos dois casos.

Em Juiz de Fora (MG), a fábrica fez o Classe A e o CLC entre 1999 e 2010, antes de ser voltada à linha de veículos comerciais.

Em Iracemápolis (SP), a marca produziu Classe C e GLA até 2020, quando fechou a unidade. A fábrica foi depois vendida à GWM, e é justamente a que hoje trabalha no limite e explica a segunda planta da marca chinesa em Aracruz.

2026: aniversário em ano difícil

A Mercedes-Benz chega aos 70 anos como a segunda maior fabricante de caminhões do país, em disputa direta com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, e com o objetivo declarado de voltar à liderança.

O cenário não ajuda. O presidente Denis Güven projeta um mercado de caminhões 5% a 10% menor em 2026, por causa do juro alto e do fim do programa Move Brasil. Os números batem com a queda nas vendas do setor e com o recuo do consórcio de pesados. Para contornar, a empresa quer ampliar a oferta de financiamento em parceria direta com bancos.

A outra frente é a concorrência chinesa, que chega em peso à Fenatran 2026. A resposta da Mercedes-Benz tem sido o argumento do conhecimento local acumulado em sete décadas, somado à expansão regional: em maio, a empresa inaugurou um centro industrial em Zárate, na Argentina, com investimento de US$ 110 milhões.

O que vem pela frente

Na tecnologia, a estratégia é gradual. Güven disse em setembro que a atividade da empresa com hidrogênio no Brasil hoje é zero e que a tecnologia deve ganhar escala em cerca de dez anos. Até lá, a aposta é em diesel mais eficiente: a evolução do motor OM 471 promete até 4% de economia de combustível, e o OM 470 está pronto para o país. Biometano e gás natural estão em avaliação.

O caminho conversa com o debate sobre o caminhão elétrico e a infraestrutura de recarga e sobre o custo por quilômetro do caminhão, que segue sendo a métrica que decide a compra.

Setenta anos depois do primeiro L-312, a Mercedes-Benz continua fazendo o que fez em 1956: vender diesel a quem roda longe. O desafio dos próximos anos é saber por quanto tempo esse produto ainda sustenta a liderança, e quem chega primeiro ao que vem depois dele.

Outros perfis de montadoras no Eixo Motor: Volkswagen, Toyota, Fiat, Chevrolet e Ford.

Perguntas frequentes

Quando a Mercedes-Benz chegou ao Brasil?

A fábrica de São Bernardo do Campo (SP) foi inaugurada em 28 de setembro de 1956, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek. Foi a primeira unidade da marca fora da Alemanha.

Qual foi o primeiro caminhão Mercedes-Benz feito no Brasil?

O L-312, com motor diesel de seis cilindros, 110 cv e capacidade para seis toneladas de carga.

Quantos ônibus a Mercedes-Benz já produziu no Brasil?

800 mil, marca atingida em agosto de 2026. A empresa exporta ônibus para mais de 100 países.

A Mercedes-Benz fabrica carros no Brasil?

Não mais. A marca fez o Classe A e o CLC em Juiz de Fora (MG) entre 1999 e 2010 e o Classe C e o GLA em Iracemápolis (SP) até 2020. Hoje a produção brasileira é de caminhões, ônibus e componentes.

O que aconteceu com a fábrica de Iracemápolis?

Foi fechada pela Mercedes-Benz em 2020 e depois vendida à GWM, que a transformou em sua fábrica no Brasil.

A Mercedes-Benz é líder em caminhões no Brasil?

Em 2026 a empresa se apresenta como a segunda maior fabricante de caminhões do país e disputa a liderança com a Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Quem é o presidente da Mercedes-Benz no Brasil?

Denis Güven, CEO da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus no Brasil e na América Latina.

A Mercedes-Benz vai fazer caminhão a hidrogênio no Brasil?

Não no curto prazo. Em setembro de 2026, Güven disse que a atividade da empresa com hidrogênio no país hoje é zero e que a tecnologia deve ganhar escala em cerca de dez anos. A prioridade é diesel mais eficiente, biocombustíveis e biometano.

Fontes: AutoData, Os 70 anos da Mercedes-Benz no Brasil, 23 de setembro de 2026||AutoData, Mercedes-Benz enxerga hidrogênio em dez anos e prepara nova cartada para o Brasil, 14 de setembro de 2026||Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus, comunicado sobre os 70 anos da produção de ônibus e os 800 mil ônibus produzidos, julho e agosto de 2026||Ônibus e Transporte, Mercedes-Benz celebra 70 anos de protagonismo no transporte de passageiros, 5 de julho de 2026||Canal Diesel, inauguração do Centro Industrial de Zárate, maio de 2026
Mercedes-Benz||Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus||70 anos||São Bernardo do Campo||história||ônibus||caminhões||perfil de empresa
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